Tamanho do texto

Técnicos do ministério da Saúde avaliam que vazamento afetou o rio Paraná e igarapés, podendo inclusive ter contaminado o lençol freático

Um depósito de resíduos da mineradora transbordou, despejando rejeitos tóxicos no meio ambiente
Agência Brasil
Um depósito de resíduos da mineradora transbordou, despejando rejeitos tóxicos no meio ambiente

A mineradora Hydro AluNorte , controlada pela multinacional norueguesa Norsk Hydro, admitiu nesta segunda-feira (12) ter liberado intencionalmente o excesso de águas das chuvas que se acumulou na região da refinaria alumina, a maior produtora mundial de alumínio.

Leia também: Tribunal nega pedido de mineradora para retomar produção no Pará

Na avaliação de técnicos dos Instituto Evandro Chagas, ligado ao ministério da Saúde , esse afluxo extra continha altos níveis tóxicos e contaminou o rio Paraná e os igarapés do entorno, podendo inclusive ter chegado aos lençóis freáticos – reservas aquáticas no subsolo de vital importância no ciclo das águas.

Três semanas antes do anúncio oficial da mineradora admitindo o despejo, moradores de Barcarena , na região metropolitana de Belém (PA), já haviam denunciado às autoridades a suspeita de que um depósito de resíduos havia transbordado, despejando efluentes tóxicos no meio ambiente.

A Hydro AluNorte argumentou que no excesso de águas liberado no rio Pará não havia sinais de vazamento ou transbordamento de dejetos tóxicos armazenados nos depósitos de resíduo de bauxita.

“A água teve seu pH tratado antes de ser liberada e depois misturada com a água da estação de tratamento de efluentes e com as águas superficiais da fábrica de alumínio”, disse a mineradora.

Leia também: Investigados da BRF são impedidos de frequentar frigoríficos pela Justiça

A própria empresa reconhece, contudo, que a água de chuva liberada pode conter poeira de bauxita e vestígios de soda cáustica, mesmo não tendo entrado em contato com as áreas de depósito de resíduos de bauxita.

As afirmações, no entanto, contrariam um laudo divulgado pelo Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde. Análises de amostras de material colhidas no local apontaram a presença de níveis elevados de chumbo, alumínio, sódio e de outras substâncias prejudiciais à saúde humana e animal.

Os peritos do instituto concluíram que o episódio ocorreu não só em função das fortes chuvas registradas entre os dias 16 e 18 de fevereiro, mas principalmente porque a empresa operava no limite, sendo incapaz de tratar todos os dejetos.

Baseado no laudo, foi determinado que a Hydro AluNorte forneça água para os moradores de duas comunidades afetadas (Vila Nova e Bom Futuro) e reduza a produção da refinaria em 50%.

* Com informações da Agência Brasil

Leia também: MST invade parque gráfico do jornal O Globo no Rio de Janeiro