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Cerca de 900 militares estão no bairro nesta quarta-feira (7); essa é a segunda vez em uma semana que esse tipo de ação acontece na região

ONGs consideram intervenção federal na Vila Kennedy e outras comunidades do Rio de Janeiro inconstitucional
Tomaz Silva/Agência Brasil - 27.2.18
ONGs consideram intervenção federal na Vila Kennedy e outras comunidades do Rio de Janeiro inconstitucional

Mais uma operação das Forças Armadas está sendo realizada na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (7). A ação conta com o uso de blindados, helicópteros, aeronaves e equipamentos pesados de engenharia, que estão sob posse de cerca de 900 militares.

A operação na Vila Kennedy é coordenada pelo Gabinete de Intervenção Federal e envolve o Comando Conjunto e a Secretaria de Segurança Pública. Os militares fazem o cerco, estabilização dinâmica da área e desobstrução de vias.

A Polícia Civil atua para cumprir eventuais mandados de prisão. Por conta da ação, algumas vias de acesso poderão ser bloqueadas, e o espaço aéreo também deverá ser controlado.

“Algumas ruas e acessos nessas áreas poderão ser interditados e setores do espaço aéreo poderão ser controlados, oportunamente, com restrições dinâmicas para aeronaves civis”, informa a nota divulgada pelo Comando Militar do Leste.

As operações dos aeroportos Santos Dumont e Internacional Tom Jobim/Galeão não foram afetadas.

Fim de semana

Essa é a segunda operação do Exército na comunidade em menos de sete dias. A primeira aconteceu no sábado (3), quando 1,4 mil militares removeram 16 barricadas construídas pelos traficantes , com a intenção de deixar o acesso de veículos blindados dos policiais e tropas federais ficassem impossibilitados de passar.

Os moradores afirmam que assim que o Exército saiu da comunidade, todos foram obrigados pelos criminosos da região a reconstruir as barreiras.

Neste dia, cinco pessoas foram presas, sendo uma delas por um cumprimento de mandado de prisão e as outras quatros por serem pegas em flagrante: um por desacato, outro por desobediência e dois por posse de drogas.

Também foram apreendidos 12 cartuchos de 9 mm, dez carros e seis motos. Mais de 700 pessoas foram revistadas, bem como 617 veículos.

Outras operações

Além destas duas, em 2018 a  Vila Kennedy já havia recebido as Forças Armadas em 23 e 26 de fevereiro. Na primeira ocasião, participaram 3,2 mil militares e contou com a participação de policiais Civil e Militar.

Nos dois episódios, as comunidades da Vila Aliança e da Coreia também tiveram suas ruas tomadas por militares e agentes.

Na ocasião da grande operação deflagrada no fim do mês passado, moradores da Vila Kennedy e de outras duas favelas da região foram 'fichados' pelos soldados do Exército, que tiravam fotografias de cada um que tentava sair da comunidade portando documentos de identidade. 

A ação foi criticada por entidades da sociedade civil e um grupo de mais de 40 ONGs e centrais sindicais entregou representação nessa sexta-feira (2) à Procuradoria-Geral da República (PGR)  cobrando uma ação contra a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro . Os grupos alegam que o decreto do presidente Michel Temer que entregou o comando das ações de segurança no estado ao general Walter Braga Netto, do CML, é inconstitucional.

A ação das Forças Armadas no combate à criminalidade no Rio de Janeiro está prevista para durar até o dia 31 de dezembro.

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