Agentes cumprem 71 mandados contra suspeitos de participar de esquema na Secretaria da Casa Militar; investigações apontam corrupção no emprego de R$ 450 milhões repassados pela União para assistir vítimas de enchentes

Enchente no município de Catende, em Pernambuco. Operação de assistência a vítimas é investigada pela PF
Wagner Ramos/Secretaria de Imprensa do Governo do Estado
Enchente no município de Catende, em Pernambuco. Operação de assistência a vítimas é investigada pela PF

A sede do governo Pernambucano, o Palácio do Campo das Princesas, foi alvo de buscas na manhã desta quinta-feira (9) por parte de agentes da Polícia Federal que participam da Operação Torrentes. A ofensiva mira um esquema de fraudes em licitações e desvios de recursos destinados ao atendimento de vítimas de enchentes no estado. De acordo coma as investigações, servidores da Secretaria da Casa Militar pernambucana participaram dos crimes.

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São cumpridos nesta manhã um total de 71 mandados judiciais no Pernambuco e no Pará, sendo 15 ordens de prisão temporária, 20 mandados de condução coercitiva e 36 de busca e apreensão. Cerca de 260 policiais federais e 25 servidores da Controladoria-Geral da União  (CGU) participam das diligências. De acordo com a PF, a Justiça também determinou o sequestro dos bens dos principais investigados (que não foram revelados até o momento).

As investigações da Operação Torrentes foram iniciadas pela PF, CGU e Ministério Público Federal (MPF) no ano passado, quando relatório produzido pela CGU levantou suspeitas acerca do emprego de R$ 450 milhões por parte da Casa Militar pernambucana. Essa verba havia sido repassada pelo governo federal para prestar assistência às vítimas das enchentes que devastaram diversos municípios da mata-sul pernambucana em junho de 2010.

De acordo com as investigações, os servidores do governo pernambucano direcionavam os contratos a empresas que topavam pagar propina como contrapartida.

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Esquema se repete

Segundo a Polícia Federal, a mesma prática pode ter se repetido recentemente por parte dos servidores da Secretaria da Casa Militar. Isso porque foram constatados indícios de superfaturamento em alguns contratos firmados com recursos públicos federais na Operação Prontidão, que teve por objetivo a reestruturação dos municípios da mata sul pernambucana atingidos pelas chuvas torrenciais ocorridas em maio deste ano.

Os investigados pelo esquema na Secretaria da Casa Militar responderão pelos crimes de peculato, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e associação criminosa, cujas penas ultrapassam 25 anos de reclusão.

O governo do Pernambuco não se manifestou até o momento sobre as buscas no Palácio do Campo das Princesas e nem sobre as suspeitas acerca dos contratos para atendimento às vítimas de enchentes.

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