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Ofensas repercutiram nas redes sociais e usuários acusam escola de ser "elitista"; instituição nega e diz que caso não "reflete" seus valores

Quadra do Instituto Federal Rio Grande do Norte, onde ofensas aconteceram após jogo de basquete
Divulgação/Instituto Federal Rio Grande do Norte
Quadra do Instituto Federal Rio Grande do Norte, onde ofensas aconteceram após jogo de basquete

Um jogo de basquete dos Jogos Estudantis do Rio Grande do Norte, entre duas escolas em Natal , gerou polêmica nas rede sociais na última semana. Alunos do Marista de Natal, uma escola particular, entoaram gritos de torcida discriminatórios contra os alunos do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). "O meu pai come a sua mãe" e "Sua mãe é minha empregada" foram algumas das ofensas que os alunos começaram a dizer após o Marista vencer o jogo, que aconteceu no dia 31 de outubro.

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O Grêmio Estudantil Djalma Maranhão, do IFRN, divulgou, no dia seguinte ao jogo, uma nota de repúdio ao ocorrido, dizendo que “pensamentos, tais quais os manifestados na tarde de ontem, vão totalmente de encontro aos valores de tolerância, inclusão e cidadania fomentados pelas diversas práticas esportivas”. No entanto, o comunicado ressalta que acredita que as ofensas não refletem a escola  Colégio Marista em si.

Os alunos também gritaram “1, 2, 3, 4, 5 mil. Queremos Bolsonaro presidente do Brasil”, fazendo referência ao deputado Jair Bolsonaro, cotado como pré-candidato nas eleições de 2018 . Vídeos que mostram os alunos fazendo as ofensas já foram removidos da internet.

O Colégio Marista respondeu por meio de uma nota que “situações como estas, que confrontam os princípios de respeito, justiça e solidariedade, não condizem com a educação humana e integral do Marista, pautada em valores cristãos e no respeito às diferenças”.

No entanto, a escola é considerada tradicional e de “elite” na capital potiguar, e vários usuários no Twitter demonstraram não estar surpresos com a demonstração de preconceito.





Outros usuários também fizeram vídeos para comentar o assunto:



Leia as notas do Grêmio Estudantil Djalma Maranhão e do Colégio Marista na íntegra, abaixo.

Do Grêmio Estudantil Djalma Maranhão:

Ontem (31/10), durante a final do basquete juvenil masculino dos JERNs entre IFRN-CNAT e Marista, tivemos o desprazer de vivenciar no ginásio de nossa escola um lamentável episódio de disseminação do discurso de ódio manifestado pela torcida da equipe visitante.

“1, 2, 3, 4, 5 mil. Queremos Bolsonaro presidente do Brasil”, “O meu pai come a sua mãe” e "Sua mãe é minha empregada" (essa última sendo usada de forma pejorativa, ao nosso ver, com intuito de desmerecer a profissão de inúmeras mulheres brasileiras) foram alguns dos cânticos de cunho misógino e discriminatório entoados pela torcida do Marista - uma afronta ao que está posto em nossa Constituição e, sobretudo, aos Direitos Humanos.

Momentos como esse revelam um pouco das intenções políticas de, infelizmente, boa parcela da sociedade brasileira: de levar a presidência um deputado extremamente machista, LGBTfóbico, racista e defensor de um dos períodos mais sombrios da História do Brasil, os “Anos de Chumbo” da Ditadura Civil-Militar (1964-1985); de reverter direitos conquistados com muito empenho e suor pelas minorias e camadas desfavorecidas social e economicamente ao longo dos anos; e, em especial, de cercear as nossas liberdades individuais e coletivas.

Além disso, é bastante triste ver que, mesmo com toda a ascensão da luta dos movimentos sociais por um país livre de qualquer opressão, mais justo e digno para toda a população, ainda há uma juventude que não reconhece esse avanço e propaga ideais tão intolerantes e hostis.

Acreditamos que pensamentos, tais quais os manifestados na tarde de ontem, vão totalmente de encontro aos valores de tolerância, inclusão e cidadania fomentados pelas diversas práticas esportivas e não compactuam nem um pouco com os princípios pregados por uma Instituição de Ensino como o Marista.

Por fim, apesar desses insultos, que tem por fito discriminar e oprimir, não serem tão incomuns, cremos sim na possibilidade de um mundo melhor, pois já dizia Paulo Freire: “mudar é difícil, mas é possível”.

Do Colégio Marista:

“O Colégio Marista de Natal esclarece que os fatos relatados na final do Basquete do JERN´S (Jogos Escolares do Rio Grande do Norte), entre o IFRN (Instituto Federal do Rio Grande do Norte) e o Marista, não comungam com a proposta pedagógica e evangelizadora da instituição, nem representam os estudantes, professores e colaboradores deste Colégio.

Situações como estas, que confrontam os princípios de respeito, justiça e solidariedade, não condizem com a educação humana e integral do Marista, pautada em valores cristãos e no respeito às diferenças.

O esporte, pilastra importante do Projeto Educativo Marista, favorece a educação integral, ao promover o respeito e a colaboração entre indivíduos. Desse modo, continuaremos a reforçar o diálogo com os nossos estudantes em todas as atividades, inclusive esportivas, tendo em vista que educar para a vida é a nossa missão.”

No entanto, a escola é considerada tradicional e de “elite” na capital potiguar, e vários usuários no Twitter demonstraram não estar surpresos com a demonstração de preconceito.

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