Morador da periferia vive 24 anos a menos que residentes de bairro nobre em SP

Levantamento expõe desigualdade na capital paulista; renda média de moradores do Campo Belo chega a R$ 10 mil, dez vezes mais que em Marsilac
Foto: Leon Rodrigues/Secom - 16.1.16
Jardim Ângela, bairro periférico da zona sul de São Paulo, ganhou iluminação com leds na gestão Fernando Haddad

Na capital paulista, a vida é mais breve para quem mora no Jardim Ângela, bairro periférico da zona sul da cidade. De acordo com levantamento divulgado nesta terça-feira (24) pela Rede Nossa São Paulo, os moradores da região morrem, em média, aos 55,7 anos de idade – índice mais baixo de todo o município. São mais de duas décadas a menos (23,7 anos) que a expectativa de vida para os moradores do Jardim Paulista, área nobre que também fica na zona sul paulistana e onde seus residentes vivem, em média, até os 79,4 anos de idade.

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O levantamento sobre a desigualdade na capital paulista foi realizado mediante à compilação de dados de diversos órgãos – desde secretarias da Prefeitura de São Paulo a institutos nacionais, como o IBGE.

Além da disparidade na expectativa de vida entre moradores de bairros nobres e de periféricos na cidade, o levantamento também expõe o gargalo existente entre a renda média dos paulistanos de diferentes bairros. No distrito com renda per capita mais alta, o Campo Belo (zona sul), cada morador recebia mais de R$ 10 mil por mês em 2015. Já no extremo sul da cidade, em Marsilac, cada residente do bairro era obrigado a se virar com meros R$ 1.287 durante o mês.

Os dados mostram ainda que, enquanto apenas 0,081% das residências de Pinheiros (zona oeste) estão situadas em favelas, mais de a metade (50,4%) das casas na Vila Andrade (zona sul) estão em áreas sem a estrutura necessária.

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53 distritos da cidade não contam com centros culturais

A desigualdade na cidade se revela também na disponibilidade de espaços de lazer como centros culturais e espaços de cultura. Foram contabilizados incríveis 53 distritos sem nenhuma instalação do gênero. Por outro lado, há um total de 3,14 centros culturais para cada grupo de 10 mil moradores da Sé, distrito que abriga casas como o Museu de Arte de São Paulo (Masp), o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Itaú Cultural.

A Rede Nossa São Paulo destacou ao fim do levantamento que, para reduzir a desigualdade na capital paulista, o poder Executivo deve "inverter prioridades para o investimento público na cidade, descentralizar o orçamento municipal e fortalecer o papel das Prefeituras Regionais", além de "promover políticas para a geração de oportunidades para as mulheres e jovens".

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