Corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal e estavam sendo velados desde a madrugada; outros quatro ficaram feridos e seguem internados

Palco de ataque a tiros, Colégio Goyases, em Goiânia, funciona há cerca de 25 anos no mesmo bairro
Reprodução/Twitter
Palco de ataque a tiros, Colégio Goyases, em Goiânia, funciona há cerca de 25 anos no mesmo bairro

Os corpos dos dois adolescentes mortos no ataque a tiros do Colégio Goyases, em Goiânia, foram enterrados no fim da manhã deste sábado (21) em cemitérios da cidade. Os corpos foram liberados pelo Instituto Médico Legal (IML) na noite de sexta-feira (20) e foram velados deste a madrugada.

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Um dos sepultamentos ocorreu às 10h no cemitério Parque Memorial, e outro às 11h, no Cemitério Jardim das Palmeiras. Os adolescentes foram mortos a tiros por um colega que abriu fogo em sala de aula. Outros quatro adolescentes ficaram feridos e seguem internados.

Segundo investigações preliminares, o adolescente autor do ataque agiu motivado pelo bullying e diz ter se inspirado nos casos de Columbine, nos Estados Unidos, e Realengo, no Rio de Janeiro, em que atiradores também abriram fogo em escolas.

"Bom aluno" de escola tradicional

Escola conhecida na capital goiana, o Colégio Goyazes funciona há cerca de 25 anos no mesmo bairro. Segundo estudantes que estavam no local e não quiseram se identificar, vários dos alunos da turma vítima do ataque estão na escola desde a primeira infância. Os dois filhos de Sandra Oliveira Santos foram alunos do colégio, um deles por dez anos. "Nós estamos dando força para a Tia Rose [apelido da diretora da escola], para ela entender que estamos do lado dela", disse a mãe dos ex-alunos.

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Por conhecer os professores e a direção da escola, Sandra acredita não ter havido negligência no caso de bullying relatado pelo adolescente. "A escola tem um sistema bem atualizado em pedagogia, os professores são preparados, a Tia Rose faz questão de trazer projetos inovadores, eu sou coparticipante desses projetos de educação, sei que não deixou de haver projeto de discussão de bullying".

Segundo o delegado do caso, Luiz Gonzaga Junior, em conversas preliminares, pais e professores relataram que o atirador era considerado um bom aluno. "Conversei com o pai, com membros da escola, a coordenadora e professores, era um ótimo aluno, com ótimas notas, nada que denotasse uma prática de um crime tão grave", afirmou. A relação com os pais, segundo o depoimento do estudante, também era boa.

"Este é um caso pontual, temos de entender como um caso pontual, o adolescente agiu com certeza em desequilíbrio emocional, talvez, como ele diz, inspirado em outras tragédias e, claro, segundo ele motivado por um bullying de um colega específico. Ele resolveu matar esse colega", disse o deputado responsável por ouvir o adolescente, atendido na presença de seu advogado.

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Presente na oitiva, o pai do estudante confirmou, sem detalhes, que o adolescente já passou por tratamento psicológico. O jovem também afirmou que não procurou professores da escola para relatar a situação de bullying que sofria. De acordo com o delegado do caso, todos os envolvidos devem ser ouvidos novamente pela polícia. O resultado da investigação será enviado ao Ministério Público.

* Com informações da Agência Brasil.

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