Tropas federais retornaram à favela para auxiliar a PM; operação já resultou nas prisões da mulher do Nem da Rocinha e de segurança de Rogério 157

Forças Armadas voltaram nesta semana a fazer cerco na favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio
Tânia Rêgo/Agência Brasil - 10.10.17
Forças Armadas voltaram nesta semana a fazer cerco na favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio

Soldados das Forças Armadas retornaram na manhã desta quarta-feira (11) à favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, para apoiar as ações da Polícia Militar na comunidade. Já é o  segundo dia seguido em que as tropas federais fazem cerco à favela enquanto os policiais militares realizam buscas por criminosos envolvidos nas disputas pelo controle do tráfico de drogas na região – que resultaram em intensos confrontos no mês passado .

De acordo com a Secretaria de Segurança do Rio, cerca de 550 policiais das tropas de elite da PM atuam em conjunto com as Forças Armadas nas operações desta semana, que contam com 15 "pontos de cerco" e 14 "pontos de contenção" no interior da comunidade. Também são feitas ações de varredura em alguns pontos na área de mata no entorno da favela da Rocinha , que fica em São Conrado, e patrulhamento especial na autoestrada Lagoa-Barra.

Além de ter apreendido pequenas porções de drogas, as ações desta semana já tiveram como resultado a prisão de Danúbia Rangel, mulher do traficante conhecido como Nem da Rocinha , antigo chefe do comércio de drogas na comunidade. A Polícia prendeu ainda o criminoso Adaílton da Conceição Soares, conhecido como Mão, que é apontado como um dos seguranças pessoais de Rogério 157, o atual número-um do tráfico na Rocinha.

A presença das tropas federais foi rotina na favela no fim do mês passado , quando o Ministério da Defesa atendeu a apelo do governador Luiz Fernando Pezão e autorizou o envio de quase 1.000 homens à comunidade. As Forças Armadas foram retiradas dessa missão no dia 29 de setembro, mas o registro de  novos tiroteios no último fim de semana levaram as forças de segurança do Rio a acionarem mais uma vez a ajuda federal.

Nem da Rocinha vs. Rogério 157

Mulher do traficante Nem da Rocinha, Danúbia Rangel foi presa nessa terça-feira (10) no Rio de Janeiro
Vladimir Platonow/Agência Brasil - 10.10.17
Mulher do traficante Nem da Rocinha, Danúbia Rangel foi presa nessa terça-feira (10) no Rio de Janeiro

Os reincidentes confrontos armados entre traficantes na Rocinha foram desencadeados por uma ruptura na aliança entre Nem da Rocinha e Rogério 157.

Preso em uma penitenciária federal em Porto Velho, em Rondônia, Nem é tido como o responsável por ordenar os ataques ao grupo liderado por Rogério.

No passado, os dois traficantes integravam a mesma facção criminosa, a Amigos dos Amigos (ADA), e Rogério 157 era o principal segurança de Nem quando este estava em liberdade e comandava o tráfico na Rocinha.

Os dois criminosos foram presos em 2010, quando a quadrilha integrada por eles invadiu o Hotel Intercontinental, em São Conrado, e fez diversos reféns durante uma fuga. Rogério 157 ganhou liberdade por decisão da Justiça dois anos mais tarde, em 2012, e passou a ser o principal nome do tráfico na favela da Rocinha.

Ainda preso, Nem revelou descontentamento com a política imposta por Rogério na Rocinha, que incluía a cobrança de taxas de moradores e de prestadores de serviço na comunidade. Mas o rompimento definitivo entre os dois só decorreu da execução, em agosto, do criminoso Ítalo de Jesus Campos, conhecido como Perninha – que também participou da invasão ao hotel em 2010. Segundo o Comando da PM do Rio, a execução foi ordenada por Rogério 157 e incomodou o antigo chefe do tráfico em São Conrado.

Hoje, o traficante Rogério 157 trocou a facção ADA pelo maior grupo do crime organizado no Rio, o Comando Vermelho , e é o principal alvo das buscas na favela da Rocinha. O serviço de Disque-Denúncia oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem a Polícia a prendê-lo.

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