Investigado pela PF, reitor da UFSC comete suicídio em shopping de Florianópolis

No mês passado, Luis Carlos Cancellier Olivo chegou a dizer, em entrevista, que se sentia em 'um exílio' por estar afastado do cargo e da universidade
Foto: Divulgação/USFC
O reitor afastado da UFSC, Luis Carlos Cancellier Olivo, foi encontrado morto no Beiramar Shopping

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que estava afastado do cargo por ser alvo de uma investigação da Polícia Federal, foi encontrado morto em um shopping em Florianópolis, na manhã desta segunda-feira (2).

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De acordo com as investigações da Polícia Militar, Luis Carlos Cancellier Olivo teria cometido suicídio, se jogando de um vão central do Beiramar Shopping , por volta das 10h30, meia hora depois do local abrir.

O corpo de Olivo foi reconhecido pelo pró-reitor de Extensão da Universidade, Rogério Cid Bastos, e identificado pelo Instituto Médico-Legal. A carteira de habilitação do reitor estava no bolso dele.

A UFSC divulgou uma nota de pesar e informou que as atividades foram paralisadas, a partir das 11h desta segunda, nas pró-reitorias e nas secretarias da administração central.

Operação Ouvidos Moucos

O reitor da UFSC havia sido preso temporariamente no dia 14 de setembro, na Operação Ouvidos Moucos da Polícia Federal.

Olivo – que ficou preso por um dia – era suspeito de ter interferido nas investigações que relacionavam a universidade a um desvio de verba de bolsas de educação à distância do programa Universidade Aberta do Brasil (UAB).

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Solto, ele tinha conseguido a permissão da Justiça Federal de Florianópolis para entrar na universidade, mesmo afastado do cargo, para prestar orientação aos seus alunos de mestrado e doutorado. Tal permanência na universidade não poderia ultrapassar três horas diárias.

Sensação de exílio

Foto: Divulgação/Agência de Comunicação da UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Em entrevista ao Diário Catarinense, no mês passado, o reitor da UFSC disse que tal afastamento lhe parecia um exílio.

"Este afastamento é um exílio. Eu moro a três metros da Universidade . Saio de casa e estou dentro da Universidade. E não posso entrar na casa em que vivo e convivo desde 1977", afirmou.

"As manifestações me dão conforto. O corpo está muito sofrido, mas a solidariedade conforta a alma. Tenho circulado na cidade e só recebo gestos de carinho", concluiu ele.

O Beiramar Shopping está funcionando normalmente e não há previsão de interrupção das atividades do centro de compras.

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