Nesta terça-feira (12) a ROTA fez outra operação de larga escala, usando dezenas de Policias no combate ao tráfico. Sucesso absoluto.

Policial Militar de ROTA em formação, recebendo instruções finais antes de sair em patrulha
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Policial Militar de ROTA em formação, recebendo instruções finais antes de sair em patrulha

Algemado, olhando para baixo e para os lados, ele sussurrou em voz baixa: “Senhor, vamos lá para o canto, eu quero falar uma coisa. Se eu entregar a fábrica de cocaína, o senhor dá uma aliviada e me deixa ir embora?”. O criminoso fez a proposta errada, para a pessoa errada. “Cidadão você está preso por tráfico de drogas, não complique ainda mais a sua situação”, respondeu Ferreira, um professor universitário. E também Sargento da ROTA, com 28 anos de carreira na Polícia Militar de São Paulo.

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Algumas horas antes, cerca de 50 viaturas de ROTA , entre as quais a do Sargento PM Ferreira, saíram do Quartel das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar com destino à Comunidade da Vila Prudente, dando inicio à operação “Zona Leste Segura”, mais uma ação de saturação, um método de ataque ao crime que vem sendo usado com sucesso pelo Comado da ROTA.

Viaturas de ROTA em deslocamento
foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Viaturas de ROTA em deslocamento

O conceito de saturação é muito simples e eficiente. Após um cuidadoso levantamento de informações feitas pelo Serviço Reservado e pelo Setor de Inteligência, um alvo de interesse é identificado, geralmente um centro de armazenamento e distribuição de drogas ou armas, e um grande contingente de PMs é enviado para neutralizar essa ameaça, conduzindo uma ação rápida, intensa e de surpresa, que nega espaço e tempo de reação ao crime.

Esta operação foi desenhada após a coleta de informações que apontavam para a mesma região como sendo um centro de abastecimento para os traficantes da Zona Leste de São Paulo. A missão dos Policiais era isolar essa área e conduzir dezenas de incursões simultâneas para achar o local.

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“Antes de sair do Quartel, recebemos um detalhado plano da operação, incluindo a área que eu e meus três Policiais, os Cabos PM Eglis e Ligori e o Soldado PM Gledson, iriamos atuar: uma viela que dava acesso à algumas casas, pequenos comércios e uma igreja. Assim que chegamos e iniciamos nossa patrulha à pé, avistamos um indivíduo que nos chamou a atenção pela sua postura suspeita e por algumas tatuagens. Decidimos abordá-lo e durante o questionamento ele disse que já havia sido condenado por assalto, receptação e homicídio”, relata o Sargento Ferreira.

Alguns criminosos fazem certos tipos de tatuagens, indicando o tipo de delito que cometeram, a facção a que pertencem e seu nível hierárquico. O fato de serem facilmente identificados pela Polícia não os incomoda. O que importa é o status de ser um criminoso, ostentar e amedrontar os moradores da comunidade.

Alguns tipos de tatuagens podem identificar o tipo de crime cometido, a hierarquia e a facção que o criminoso pertence
Foto: Major PM Luis Augusto Pacheco Ambar
Alguns tipos de tatuagens podem identificar o tipo de crime cometido, a hierarquia e a facção que o criminoso pertence

Esse era o caso deste indivíduo, um assaltante homicida que foi solto pelas nossas leis frouxas, e que ao ganhar liberdade, não apenas se transformou num dos maiores responsáveis pela distribuição de drogas na Zona Leste, mas também mantinha e operava uma refinaria de grande porte para transformar pasta básica em cocaína.

O Sargento Ferreira continua: “Do lado de fora da casa, onde estávamos conversando com este cidadão, sentimos um forte cheiro de éter. A mãe dele apareceu e disse: ‘Pode entrar e olhar, não tem nada aqui’. Mas não foi bem assim. Encontramos alguns produtos químicos e o Cabo PM Eglis achou um saco plástico com 253 invólucros de cocaína. Foi nesse momento que o rapaz fugiu correndo”.

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A reação da ROTA foi imediata. O Soldado PM Gledson alcançou o suspeito em segundos e o algemou. Foi quando ele fez a proposta para entregar o local onde a cocaína era produzida em troca da sua liberdade, mas percebendo que “a casa caiu” o criminoso desistiu e confessou. Usando um aplicativo de vídeo pelo celular, o traficante que ficou custodiado na casa da sua mãe, foi direcionando o resto da equipe de ROTA para o local exato da refinaria: uma casa vermelha na frente de um barzinho, ao lado da Igreja.

Ao mesmo tempo o Sargento Ferreira relatou esta situação ao seu Comandante de Pelotão, o Tenente PM Narlich, que enviou outras equipes para cercar o local e as imediações, e dar apoio para toda a ação; desde a entrada na casa até a preservação da cena do crime, que na sequencia seria periciada pela Polícia Civil para a elaboração do inquérito policial.

Ao entrar na casa vermelha, os PMs se deparam com uma verdadeira fábrica de cocaína, completamente aparelhada com garrafas de produtos químicos, tubos de vidro, liquidificador para dissolver a pasta base, balança para pesagem, material de embalagem, instrumentos de medição e uma motocicleta e um carro para fazer o serviço de “delivery” da droga.

Em cima das mesas, estava uma enorme quantidade de cocaína, pronta para ser dividida e embalada. Por perto os Policiais localizaram frascos contendo cal, talco, bicarbonado de sódio e outras substancias usadas para misturar e diluir a cocaína. “Eles misturam todo tipo de porcaria para lucrar mais, iludindo os coitados dos viciados e fazendo com que o efeito da droga fique ainda mais letal”, diz o Sargento. Também foi encontrando uma grande quantidade de maconha.

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“Por pouco não prendemos a quadrilha toda. Quando chegamos na refinaria, encontramos marmitas com comida ainda quente, refrigerantes abertos e gelados, cigarros e um ventilador ligado. Eles estavam almoçando, quando interrompemos o ‘trabalho’ deles e conseguiram fugir. Mas prendemos o dono da refinaria, este vai para a cadeia. Se de um lado a tecnologia nos ajudou a encontrá-los, eles também tiram proveito criando grupos de whatsapp para se comunicar e avisar que Polícia está chegando”, diz Ferreira.

Sargento PM Ferreira
ROTA / Divulgação
Sargento PM Ferreira

Ao perguntar para o Sargento como ele se sente participando de uma operação com um resultado de vulto tão positivo ele fala sobre o prazer em cumprir o dever de proteger a população que é envenenada e destruída pelos traficantes. Ele lembra do seu padrinho de ROTA, o Sargento Edinaldo, que mostrou que o único caminho a ser seguido na ROTA é o caminho da retidão.

Dizem que duas das profissões mais difíceis e ingratas que existem no Brasil é a de Professor e Policial. Ambas pagam pouco, exigem intensa dedicação, resiliência e muitas horas de trabalho, tudo isso com pouco ou sem reconhecimento da sociedade. Ferreira decidiu abraçar essas duas profissões.


Termino esta matéria usando uma frase do Sargento, e a dedico para os piores criminosos, assaltantes e assassinos que existem no Brasil: os políticos que, ao invés de representar e proteger nossa sociedade e seus valores, a estão aniquilando.

“Na ROTA nunca houve nem haverá corrupção. Qualquer PM que se forma na Escola de Soldado faz um juramento de honestidade e ética, de agir dentro da legalidade e dos princípios morais. Quando prestamos este juramento, não cruzamos os dedos, ele é de verdade. Hoje, mais do que nunca, nossa sociedade clama por justiça e o Policial Militar possui o privilégio de poder entregar um pouco dessa justiça para o povo.”

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