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Segundo o levantamento, a cada dia, cerca de três milhões de pessoas deixam de usar o modal no País; aumento do desemprego está entre os motivos

Especialista diz que pequenos investimentos poderiam melhorar a qualidade dos transportes públicos
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Especialista diz que pequenos investimentos poderiam melhorar a qualidade dos transportes públicos

Levantamento divulgado nesta quinta-feira (23) pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos revela que, a cada dia, aproximadamente três milhões de passageiros deixam de usar o ônibus como meio de locomoção no País. O levantamento foi realizado pela entidade em nove capitais brasileiras.

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O relatório da associação mostra ainda que, nos últimos três anos, o nível da queda de passageiros atingiu 18,1%. Só no ano passado, o número de passageiros transportado diariamente por ônibus caiu 4,6% em relação a 2015. A associação faz o monitoramento dos dados de transportes públicos urbanos desde 1994, totalizando 24 anos de acompanhamento. Para o mês de outubro, a previsão é de queda de 46,3% no número de passageiros transportados.

Para o presidente da associação, Otávio Cunha, fatores como a tarifa, o tempo de viagem, o estado de cada veículo e o trânsito cooperam para a queda no volume de utilização dos ônibus. “Pesquisas apontam que a redução da tarifa e a volta dos investimentos em infraestrutura podem atrair novamente o usuário do ônibus. A melhoria da qualidade atrairá demanda”, afirmou o especialista.

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Cunha ressaltou que algumas ações simples podem ser feitas pelo poder público com o intuito de trazer resultados positivos e rápidos. “Pequenos investimentos, como a criação de faixas exclusivas e o monitoramento, para evitar invasões, podem encurtar o tempo de viagem. Isso influencia na hora da escolha [do modal]”, disse. “Hoje em dia, os ônibus disputam espaço nas vias com os carros e investimentos precisam ser feitos", acrescentou o presidente.

Causas

Ainda de acordo com o levantamento, o desemprego e a crise econômica são os principais responsáveis pela baixa nos números dos passageiros . Contudo, Otávio Cunha avaliou que outros fatores contribuem diretamente para o cenário atual. “Temos que levar em conta as distorções do sistema urbano, tal como a falta de fontes de financiamento para a tarifa, que hoje é paga, exclusivamente, pelo usuário”, concluiu.

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Desde a Constituição de 1988, a atribuição do financiamento do serviço de transportes passou a ser dos municípios. Pelo menos 17% dos custos estão ligados às gratuidades para idosos, pessoas com deficiência, estudantes e outros motivos, que são financiados pelos usuários que pagam as passagens de ônibus.


* Com informações da Agência Brasil

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