Professora agredida por aluno sofre ataques na web, mas afirma: "não me calarei"

Em mensagem no Facebook, Márcia Friggi denunciou mensagens de ódio que recebeu após relatar violência física sofrida por aluno de 15 anos ontem
Foto: Reprodução/Facebook Márcia Friggi
Marcia Friggi é professora de português e literatura na cidade de Indaial, em Santa Catarina - onde foi agredida

Marcia Friggi é professora de português e literatura na cidade de Indaial, em Santa Catarina. Nesta segunda-feira (21), ela protagonizou uma cena de violência física e verbal. Depois de ter sido agredida por um aluno de 15 anos dentro da escola, sofreu ataques na internet de pessoas que defendiam que ela merecia ter sofrido socos por ser “feminista” e por “seu posicionamento político de esquerda”, segundo contou à BBC Brasil.

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As imagens chocantes da professora de 51 anos com o rosto ensanguentado e o olho direito roxo e inchado gerou uma nova onda de violência – de pessoas que culparam a própria vítima pelo incidente. Em mensagens do Facebook, Márcia Friggi afirmou que não pode se calar “diante das manifestações de ódio” de que está sendo alvo.

“Não estou surpresa, infelizmente, nunca esperei atitude diferente dessas pessoas. Sou cidadã brasileira e, como todos, tenho liberdade de expressão. O ódio não irá me calar, só fortalece a certeza de que sempre estive do lado certo. Estou cada vez mais convicta de que sempre lutei e continuarei lutando por um mundo melhor, livre do ódio, do racismo, do preconceito, do machismo, da misoginia, da homofobia, do fascismo. Dilacerada ainda, mas em paz!”, escreveu.

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Muitos colegas de profissão estão manifestando apoio, assim como internautas diversos, inclusive alguns parentes de Márcia, que se disseram “estarrecidos” com o que aconteceu com a profissional dentro da escola pública. Desse modo, milhares de pessoas reagiram às publicações na rede social, também escreveram palavras de apoio e força a ela.

Nesta terça-feira (22), a professora compartilhou uma foto de seu rosto, em que é possível ver seu olho ainda mais inchado e roxo do que ontem, na qual ela traça um paralelo entre sua condição e a situação geral dos professores do Brasil . No texto, ela pede para que o País “volte a olhar por nós, professores, não só hoje, mas sempre!”.

Em outra publicação, Márcia conta sobre a sala onde fez o exame de corpo de delito, que estava lotada, segundo ela. “A imensa maioria era mulheres acompanhadas de outras mulheres. Os braços da solidariedade como último refúgio. Cobertas por lenços e enormes óculos escuros, como eu”, relata.

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A filha de Márcia, Ana Carolina Friggi Ivanovich, escreveu um texto emocionado, em que pede para que as pessoas não culpabilizem os professores. “Não tente dizer o que um professor deveria fazer. Você não está lá. O soco no rosto da minha mãe foi de um aluno de 15 anos e também do poder público, do piso salarial, da jornada desumana de trabalho e da condição precária. Não importa o que você acha, acredite, eles já estão fazendo muito”, defendeu.

O caso

De acordo com o relato da professora pela rede social, que já foi compartilhado mais de 352 mil vezes, e recebeu reações de quase 700 mil pessoas, Márcia foi agredida na manhã desta segunda-feira por um aluno durante a aula. Ela teria pedido para que ele colocasse um livro, que estava entre as pernas, em cima da mesa – e, apenas por isso, o aluno não só a xingou, como também arremessou o livro em sua direção. Depois, o rapaz teria desferido golpes, socos e agressões em seu rosto enquanto caminhavam para a diretoria.



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