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Análise do Ipea, PNUD e Fundação João Pinheiro alerta para menor ritmo de avanços sociais nos últimos anos e cobra atenção a indicadores relativos à pobreza, emprego e renda, "considerando o momento de desafios políticos"

Ranking mundial do IDH já havia atestado que a pobreza voltou a crescer entre 2014 e 2015 no Brasil
Fernando Frazão/ Agência Brasil - 7.4.14
Ranking mundial do IDH já havia atestado que a pobreza voltou a crescer entre 2014 e 2015 no Brasil

O Brasil ganhou cerca de 4,1 milhões de 'novos pobres' entre 2014 e 2015, sendo que 1,4 milhão de brasileiros dsse grupo encaram situação de extrema pobreza. É o que mostra o estudo Radar IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e com a Fundação João Pinheiro.

O estudo apontou redução na renda per capita dos brasileiros, que deixaram de contar com R$ 803,36 mensais em 2014 para ter rendimentos de R$ 746,84 por mês em 2015. De acordo com os desenvolvedores do levantamento, essa queda na renda da população e o avanço da pobreza foram os principais fatores responsáveis pela estagnação dos progresso sociais observados especialmente no período do ano 2000 a 2010 – apesar de o Brasil ainda figurar na faixa considerada de alto desenvolvimento humano.

A estagnação dos índices de desenvolvimento humano no Brasil entre 2014 e 2015 já havia sido verificada pelo ranking do IDH divulgado em março deste ano pela Organização das Nações Unidas. O levantamento mostrou o País na 79ª colocação entre as 188 nações avaliadas – mesma posição ocupada pelo Brasil no ranking anterior, fato que nunca havia acontecido antes.

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"Desafios políticos"

Os responsáveis pelo levantamento demonstram preocupação com o impacto dos "desafios políticos e econômicos enfrentados pelo País" nos índices de desenvolvimento humano. 

"Especial atenção deve ser dada aos indicadores relativos à pobreza, emprego e renda,
considerando o momento de desafios políticos e econômicos enfrentados pelo país. [...] os dados alertam para a necessidade as políticas públicas voltadas ao crescimento do emprego e da renda, sem deixar de lado o combate à desigualdade", aponta o relatório.

São considerados na faixa da pobreza aqueles que possuem renda domiciliar per capita "inferior a um quarto de salário mínimo, de agosto de 2010". Já a população extremamente pobre é aquela cujos integrantes do núcleo familiar contam com menos de R$ 70 por mês. O Radar IDHM usa informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

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