Segundo pesquisador da UFRJ, Guilherme Curi, preconceito contra população árabe cresceu após ataque de 11 de setembro, nos EUA; entenda


A solidariedade reinou neste sábado (12) no Rio de Janeiro. Para prestar apoio ao refugiado sírio, Mohammed Ali, vítima de xenofobia por um vendedor ambulante carioca, diversas pessoas fizeram filas para comprar as iguarias vendidas por Ali: salgados árabes.   

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As manifestações começaram após o vídeo da agressão e da xenofobia sofrida pelo refugiado viralizar na internet. No vídeo, é possível ver um homem com um pedaço de pau ameaçando Mohamed Ali, gritando ofensas xenófobas ao imigrante. Em determinado momento, o agressor o chama de “homem-bomba”.

Uma imensa fila formou-se em frente a barraca de salgados do sírio e ele precisou de ajuda de quatro compatriotas para atender a todos os clientes que ali estavam para prestar solidariedade e ajudá-lo em seu empreendimento.

A Agência Brasil, que acompanhou o ato em prol a Mohamed Ali, informou que a fila tinha sempre entre 20 e 30 pessoas esperando para serem atendidos por Ali, que tirava fotos com os consumidores, entregava os alimentos ao clientes e cobrava pelos produtos, tudo ao mesmo tempo. Agradecido pelo apoio recebido dos brasileiros, Ali disse apenas: “Veja quanta gente”.

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Vídeo ajudou imigrante

Um dos idealizadores do ato neste sábado (12) em solidariedade ao refugiado sírio, Guilherme Benedictis, tomou conhecimento do caso por meio das redes sociais e sem pensar duas vezes foi procurar Mohamed Ali. Ele promove feiras gastronômicas de rua com food trucks e além do “esfirraço” de hoje, criou uma campanha para arrecadar dinheiro e comprar um food truck a Ali e sua família.

 “A meta é chegar a R$ 20 mil e já conseguimos 20% disso, desde o dia 9. Acho que em menos de um mês, conseguiremos juntar todo o dinheiro”, ressaltou.

Casos de ataques xenofóbicos têm sido registrados em todo mundo.  Com o aumento de guerras civis, disputas territoriais e religiosa tem elevado o movimento imigratório e gerado diversos casos como o de Ali.

Segundo o Guilherme Curi, pesquisador em imigração sírio-libanesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esse maior preconceito e ataques de xenofobia foram enraizado no brasileiro após o ataque de 11 de setembro, nos Estados Unidos. “Os árabes sempre conseguiram se socializar e pertencer à sociedade brasileira. A sociedade brasileira é mais árabe do que se imagina. A partir do 11 de setembro, ele passa de um ser exótico a ser visto como um terrorista potencial”, disse.

* Com informações da Agência Brasil

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