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Retirado da Cracolândia por policiais militares, Andreas Albert von Richthofen estava sob "abuso de substâncias ilícitas", segundo laudo médico

Andreas von Richthofen,  15 anos, e sua irmã, Suzane, com 19, no enterro dos pais em 2002
FLAVIO GRIEGER
Andreas von Richthofen, 15 anos, e sua irmã, Suzane, com 19, no enterro dos pais em 2002

Durante as operações que a prefeitura de São Paulo tem feito para tentar acabar com a Cracolândia, há dez dias, alguns usuários estão sendo encaminhados para os hospitais municipais. Entre eles, um homem identificado como Andreas Albert von Richthofen chamou atenção quando deu entrada no Hospital do Campo Limpo, na zona sul da capital, na madrugada desta terça-feira (30).

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O sobrenome é mesmo da família que ficou conhecida pela morte dos pais, Manfred e Marisia, assassinados em 2002 pela filha, Suzane von Richthofen, irmã de Andreas Albert von Richthofen . Encontrado por policiais enquanto tentava pular o portão de uma casa que dizia ser de seu tio, agentes militares o encaminharam para o centro hospitalar.

Durante o atendimento pela psiquiatra de plantão, ao saber que ficaria internado, Andreas tentou se jogar da maca. Com sintomas que condizem com “abuso de substâncias ilícitas”, ao chegar ao hospital, ele estava sujo, com os cabelos compridos e roupas em frangalhos. No corpo, vários ferimentos estavam à mostra, mas nenhum com necessidade de levar pontos. As informações são do jornal O Globo .

O rapaz, que completará 30 anos em julho, tinha apenas 15 anos quando os pais foram mortos pela irmã em conjunto com o Daniel Cravinhos, namorado de Suzane na época, e o cunhado.

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Medalinha dourada

Um comportamento que chamou atenção foi a preocupação de Andreas com uma medalhinha dourada, onde estava gravado o sobrenome Richthofen. Para garantir que o paciente não se machucaria com o objeto, funcionários do hospital retiraram o acessório dele.

Após higienização e sob efeitos de medicamentos tranquilizantes, o irmão de Suzane foi direcionado a um quarto, sozinho, por discrição.

Um tio de Andreas foi localizado pela assistência social e solicitado para que ele fosse até o hospital autorizando que o sobrinho fosse transferido para uma casa de tratamento de usuários de droga ainda nesta terça-feira, mas apesar de ter concordado por telefone, o homem não apareceu.

Histórico

Ao perder os pais, e com a irmã deserdada e presa, Andreas se tornou o único herdeiro da família de classe alta paulistana. Após uma longa disputa judicial para saber quem cuidaria das posses, o médico Miguel Abdalla, tio dos irmãos von Richthofen, passou a administrar o dinheiro e também a ser tutor do garoto até que se tornasse maior de idade.

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