Presos preventivamente pela Operação Carne Fraca, funcionários de empresas privadas e órgãos públicos poderão responder por vários crimes

Entre os investigados pela PF na Operação Carne Fraca, 63 pessoas foram indiciadas por terem cometido diversos crimes
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Entre os investigados pela PF na Operação Carne Fraca, 63 pessoas foram indiciadas por terem cometido diversos crimes

No último sábado (15), a Polícia Federal (PF) entregou um inquérito policial, feito pela superintendência do Paraná, indiciando 63 pessoas envolvidas na Operação Carne Fraca. O documento foi direcionado à Justiça Federal do Paraná, e informa que há provas suficientes de que foram cometidas diversas infrações previstas no Código Penal.

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Entre os investigados pela Operação Carne Fraca , estão, desde funcionários das empresas privadas, como agentes de inspeção sanitária, chefes de unidades de inspeção, proprietários e funcionários de frigoríficos, até fiscais agropecuários federais e representantes regionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

As acusações também variam. Os indiciados poderão responder por crimes de advocacia administrativa, corrupção passiva, concussão, emprego de processo proibido ou de substancia não permitida, crime contra a ordem econômica, falsidade de atestado médico, falsidade, corrupção, adulteração de substância ou produtos alimentícios, organização criminosa, prevaricação, peculato, uso de documento falso e violação de sigilo funcional.

No relatório, só constam pessoas que foram presas preventivamente. No entanto, ainda há o que se apurar, e isso poderá fazer com que o número de investigados aumente ainda mais, podendo incluir quem está em liberdade também.

Em trecho retirado do texto enviado à Justiça, a PF declara que “os indícios e provas colhidos ao longo da Operação permitem concluir pela existência de uma organização criminosa atuante dentro da estrutura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tanto no Estado do Paraná como em outros Estados, há fortes evidências das mesmas práticas nefastas pelo menos nos estados de Goiás e Minas Gerais”.

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Retrospectiva

Em 17 de março, quando a Polícia Federal deu início à operação, que tinha o objetivo de apurar algumas práticas de crimes de corrupção cometido por agendes públicos responsáveis pela fiscalização, controle de qualidade e segurança alimentar de produtos agropecuários.

Com a investigação, a PF descobriu que esses fiscais estavam recebendo propina de empresas relacionadas à área alimentícia, para liberação de certificados sanitários sem que a fiscalização fosse feita de fato nas carnes. A “troca de favores” resultou na permissão de produtos irregulares serem comercializados, seja por problemas com o prazo de validade vencido ou até mesmo o uso de substâncias para adulterar a qualidade da carne.

Em resumo, foram expedidos na Operação Carne Fraca 27 mandados judiciais de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão. Ao todo, 21 frigoríficos são investigados na operação. O Ministério da Agricultura também  afastou 33 fiscais de suas atividades. Atualmente, o processo tramita sob sigilo na 14ª Vara Federal, em Curitiba.

 *Com informações da Agência Brasil

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