Operação deflagrada pela PF nesta sexta revelou envolvimento de marcas como JBS e BRF Brasil em esquema de corrupção para "maquiar" produtos podres e notas fiscais ilícitas; partidos políticos e fiscais foram citados

Com as hashtags #CarneFraca, #CarnePodre e #CarnePodreFriboi, internautas expressaram sua revolta após operação
Reprodução/Twitter
Com as hashtags #CarneFraca, #CarnePodre e #CarnePodreFriboi, internautas expressaram sua revolta após operação

A Operação Carne Fraca deflagrada nesta sexta-feira (17) já fez história:  além de ser a maior investigação já realizada pela Polícia Federal (PF), envolvendo mais de 1.100 policiais em seis estados do País e no Distrito Federal, também apontou grandes nomes da indústria alimentícia, como a JBS (dona da Seara, BigFrango e Friboi) e a BRF Brasil (que controla marcas como Sandia e Perdigão).  Consumidores revoltados expressaram sua comoção na internet, não sem razão, e as hashtags #CarneFraca, #CarnePodre e #CarnePodreFriboi estavam entre as Trend Topics do dia.

“Desmascarada”, a Friboi foi grande alvo das mensagens consternadas dos consumidores que, inclusive, defenderam um boicote ao frigorífico. “A Friboi não está nem aí para as carnes podres que vendeu, mas sim como vai vender o resto”, escreveu um internauta. “O nome da operação deveria ser #CarnePodre ao invés de Carne Fraca ”, apontou outro. 

Entre as mensagens contra a empresa que, em sua publicidade faz a promessa de ser o próprio nome da “carne de qualidade”, até o ator Tony Ramos foi citado, após fazer dezenas de propagandas na TV.

Assim como outros temas discutidos na internet, o assunto foi tratado com revolta, mas com uma pitada de bom humor – e ironia, claro. Muitas pessoas não deixaram passar despercebido o envolvimento do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, dos partidos políticos e dos fiscais . “Corrupção está enraizada nesse País”, desabafou um internauta, na rede social.
























Entenda a operação

A Operação Carne Fraca investiga uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. De acordo com a PF, os fiscais – que contavam com a ajuda de servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Paraná, Goiás e Minas Gerais – se utilizavam dos cargos para, mediante propinas, facilitar a produção de alimentos adulterados por meio de emissão de certificados sanitários sem que a verificação da qualidade do produto fosse feita.

Trata-se da maior operação já realizada na história da PF, segundo a instituição, com mais de 1.100 policiais mobilizados em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.

A operação envolve grandes empresas, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão , e também a JBS, dona não só da Seara , da BigFrango e da Friboi , mas também de outras empresas e de frigoríficos menores, como Mastercarnes e Peccin, do Paraná. Investigadas pela PF, ambas estão entre as cinco maiores exportadoras do País, reconhecidas como as maiores empresas de carne do mundo. Além delas, aparecem na decisão outros frigoríficos grandes e pequenos.

Essas empresas são acusadas de participar de um esquema de corrupção no Ministério da Agricultura. O delegado Moscardi Grillo confirmou que ao menos três executivos da BRF e dois da JBS foram presos na manhã desta sexta. O delegado explica que, ao longo das investigações, iniciadas em 2015, quase 40 empresas foram autuadas pela PF e os investigadores não encontraram nenhum frigorífico onde não havia "problemas graves". Moscardi Grillo chegou a afirmar que as empresas adulteravam a carne para disfarçar o mau-cheiro do produto.

Leia também: Grampo da PF flagra conversa de ministro com líder de esquema com frigoríficos

A Polícia Federal pediu a interdição de ao menos um frigorífico da BRF no interior de Goiás, onde foram constatados indícios da presença da bactéria salmonela. Genericamente foram encontrados casos de companhias que usavam, em suas operações, carnes podres com ácido ascórbico para disfarçar o gosto, frango com papelão, pedaços de cabeça e carnes estragadas empregadas como recheio de salsichas e linguiças.

Friboi

Em nota enviada ao iG , a JBS afirma que a Friboi não é a empresa alvo da operação e que também não foi “desmascarada”. Além disso, garante que "qualidade é sua maior prioridade". Confira o posiocionamento da JBS:

"Sobre a operação da Polícia Federal, a JBS esclarece que qualidade é a sua maior prioridade e a razão de ter se transformado na maior empresa de proteína do mundo. A JBS exporta para mais de 150 países, como Estados Unidos, Alemanha e Japão. É anualmente auditada por missões sanitárias internacionais e por clientes.

No Brasil, há 2.000 profissionais dedicados exclusivamente a garantir a qualidade dos produtos JBS e das marcas Friboi e Seara. Todos os anos, 70 mil funcionários têm treinamento obrigatório nessa área.

No despacho da Justiça, não há menção a irregularidades sanitárias da JBS. Nenhuma fábrica da JBS foi interditada. Ao contrário do que chegou a ser divulgado, nenhum executivo da empresa foi alvo de medidas judiciais.  Um funcionário da unidade de Lapa, no Paraná, foi citado na investigação. A JBS não compactua com desvios de conduta e tomará todas as medidas cabíveis.

Por fim, a JBS reforça seu comprometimento com a qualidade de seus produtos e reitera seu compromisso histórico com o aprimoramento das práticas sanitárias."


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