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Maurício Cabral, irmão de Sérgio Cabral, e Suzana, sua ex-esposa, foram identificados como beneficiários de esquema de organização criminosa

Eike Batista pagou US$ 16,5 milhões em propina por ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral
Reprodução/Twitter
Eike Batista pagou US$ 16,5 milhões em propina por ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral

O empresário Eike Batista pagou US$ 16,5 milhões, o que equivale hoje a R$ 52 milhões, em propina ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral por meio de um falso contrato de venda de uma mina de ouro. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (26), pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), em entrevista coletiva.

Na manhã desta quinta-feira (26), o empresário foi alvo da Operação Eficiência, novo desdobramento da Operação Lava Jato . A polícia foi até a casa de Eike Batista , por volta das 6h desta quinta, com mandado de prisão temporária, mas ele não foi localizado.

De acordo com o que foi exposto na coletiva com a PF e o MPF, Eike não está no Brasil. Embora o advogado Fernando Martins, que representa o empresário, tenha afirmado informalmente que Eike está em Nova York, a polícia não confirma a informação.

Para a PF, como nenhuma declaração formal do advogado foi feita a respeito do paradeiro do empresário, a busca continua. Segundo as investigações, Eike pode estar nos Estados Unidos e teria viajado com um passaporte alemão. A Interpol já foi avisada sobre o mandado de prisão para o empresário e ajuda nas investigações.

Como era o esquema

Nesta fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal investiga crimes de lavagem de dinheiro consistente na ocultação no exterior de aproximadamente U$ 100 milhões, o equivalente a cerca de R$ 340 milhões. O esquema seria comandado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

De acordo com a Justiça Federal, em depoimento, os irmãos Renato Hasson Chebar e Marcelo Hasson Chebar, que são operadores do mercado financeiro, desmentiram a declaração dada por Eike Batista no ano passado de que jamais havia pago propina ao ex-governador .

O delator Renato afirmou que foi orientado a viabilizar o pagamento dos US$ 16,5 milhões a Cabral em 2010.

Segundo depoimentos, foi o vice-presidente de futebol do Flamengo Flávio Godinho, ex-braço direito de Eike, preso pela manhã desta quinta, quem o orientou a fazer um fazer contrato de fachada entre as empresas Arcádia Asociados S.A., de propriedade de Renato, e a Centennial Asset Mining Fund LLC, de Eike, para a falsa venda de uma mina de ouro pelo Grupo X.

O falso contrato foi firmado em 2011. Segundo os delatores, os pagamentos foram feitos através de transferência de títulos acionários e dinheiro da conta Golden Rock Foundation no Tag Bang. Ao determinar a prisão preventiva de Eike Batista, o juiz Marcelo Bretas considerou que o empresário mentiu ao prestar depoimento ao MPF.

Operação Eficiência

Além do empresário, também são alvos da Operação Eficiência o ex-governador Sérgio Cabral, que já está preso no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, e o vice-presidente do Flamengo Flávio Godinho, que foi preso pela manhã. Também há mandados de prisão preventiva contra Francisco Assis, o doleiro Álvaro Galliez, Thiago Aragão, ex-sócio da esposa de Cabral, e Wilson Carlos e Carlos Miranda, que já estão presos.

Suzana Cabral, ex-mulher do ex-governador, é acusada de ser beneficiária do esquema de lavagem de dinheiro e foi levada coercitivamente para prestar depoimento. O irmão do ex-governador, Maurício Cabral, também é alvo de condução coercitiva.

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De acordo com o MPF, Maurício Cabral e Suzana Cabral seriam os destinatários dos valores em espécie que a organização criminosa movimentava. Em depoimento, eles tiveram que justificar o recebimento desse dinheiro. Na casa de Maurício, com um mandado de busca e apreensão, a PF encontrou, também nesta quinta-feira, mais de R$ 32 mil, além de dólares e euros em espécie.  

Cabral foi preso durante a primeira fase da Lava Jato realizada no Rio, batizada como Calicute e deflagrada no dia 17 de novembro . Eike Batista já era investigado na Operação Calicute.

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