Governo da Colômbia quer expulsar definitivamente a Odebrecht do país

Empreiteira brasileira já está proibida de assinar novos contratos de obras públicas no Panamá, no Equador e no Peru; ex-vice-ministro já foi preso
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Força-tarefa da Operação Lava Jato colheu cerca de 800 depoimentos de executivos e ex-executivos da Odebrecht

Em meio a crescentes escândalos de corrupção, o governo colombiano está tentando expulsar do país a empreiteira Odebrecht. "Estamos trabalhando para a saída definitiva da Odebrecht da Colômbia", disse Luis Andrade, diretor da Agência Nacional de Infraestrutura do país.

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Essa foi a declaração mais forte do governo colombiano contra a empreiteira brasileira, desde que a Odebrecht admitiu, em um acordo judicial com as autoridades dos Estados Unidos, que pagou US$ 439 milhões em propina a funcionários fora do Brasil – a maioria deles na América Latina.

A afirmação de Andrade foi publicada nesta quarta-feira (18) pelo jornal The Wall Street Journal , que não obteve respostas do porta-voz da Odebrecht sobre o assunto.

A Odebrecht, que está sendo investigada em outros países, incluindo o Panamá, o Equador e o Peru, já foi publicamente impedida de assinar novos contratos de obras públicas nos três países.

Prisão de Morales

Na semana passada, o ex-vice-ministro dos Transportes da Colômbia, Gabriel García Morales, foi preso por suspeita de ter recebido US$ 6,5 milhões da empreiteira, em 2009.

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Com isso, ele se tornou o primeiro político de alto escalão do país a cair diante do escândalo envolvendo a Odebrecht no Brasil e no exterior nos últimos 15 anos, período no qual a empreiteira teria desembolsado cerca de US$ 1 bilhão em 12 países para assumir projetos.

Entre os países envolvidos, estariam Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicada, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela.

A acusação contra Morales afirmou que "tem evidências de que García exigiu o pagamento de US$ 6,5 milhões para garantir que a Odebrecht fosse a única empresa habilitada para a licitação do trecho dois da Rota do Sol, excluindo outros competidores".

García, que era responsável pelo Instituto Nacional de Concessões à época, deve ser denunciado por corrupção passiva, enriquecimento ilícito e prevaricação. 

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A investigação contra a Odebrecht ainda está na fase inicial e pode trazer à tona novos casos de corrupção com outros servidores do país que receberam pagamentos ilícitos da empreiteira brasileira.

* Com informações da Agência Ansa.

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