MP recebe documento que pede manutenção de velocidade reduzida em São Paulo

Movimentos ativistas pedem manutenção de velocidade reduzida nas vias da capital paulista à nova gestão da prefeitura; veja o que eles argumentam
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 20.12.2016
A prefeitura de São Paulo vem realizando, desde o ano passado, uma política de redução das velocidades permitidas em avenidas e ruas da cidade

Grupos de ativistas em São Paulo fizeram um documento em que solicitam a manutenção da política de redução da velocidade máxima nas vias da capital paulista, entregando o pedido nesta segunda-feira (19) ao Ministério Público do estado. Assinaram o dossiê a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), a Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo (Cidadeapé), o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e os movimentos Bike é Legal, Bike Zona Sul e Sampapé.

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A prefeitura de São Paulo vem realizando, desde o ano passado, uma política de redução das velocidades permitidas em avenidas e ruas da cidade. As mudanças tiveram impacto e visibilidade especialmente pela aplicação das regras nas marginais Tietê e Pinheiros.

Em julho de 2015, a velocidade máxima permitida aos carros nas pistas expressas das marginais passou de 90 quilômetros por hora (km/h) para 70 km/h. Já para os caminhões, o limite caiu de 70 km/h para 60 km/h; na pista local da Marginal Pinheiros, a velocidade permitida passou de 70 km/h para 50 km/h. Na faixa central da Tietê, o limite caiu de 70 km/h para 60 km/h.

Aumento das velocidades em campanha

Durante a campanha eleitoral para a prefeitura da capital paulista, o prefeito eleito João Doria (PSDB-SP) prometeu que revisaria a redução dos limites, especialmente nas marginais. “Nas marginais passam 3,5 milhões de pessoas todos os dias. Muitas dessas pessoas que passam ali todos os dias dependem dessas vias para sobreviver, com o transporte de mercadorias e pessoas. Não faz sentido você ter uma velocidade reduzida em vias expressas”, disse Dória em sabatina na “TV Brasil” em parceria com o jornal “El País”.

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Por causa disso, as entidades pediram que a nova gestão municipal reavalie a proposta da campanha, dialogando com a sociedade civil antes de fazer alterações nessa política. “Estamos em busca todas as vias de diálogo com a nova gestão para dar visibilidade às pessoas mais vulneráveis no trânsito, mas vemos que não temos mais opções. Por isso, protocolamos os documentos, para mostrar que existe uma demanda contrária à volta das altas velocidades”, afirmou a representante do movimento Cidadeapé, Ana Carolina Nunes.

No dossiê entregue nesta segunda-feira (19) ao Ministério Público pelas sete entidades são apresentados os dados e marcos legais, que embasam a diminuição da velocidade nas vias.

Redução de acidentes

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) divulgou no mês de outubro um balanço que mostrou uma queda de 52% no número de acidentes com mortes nas marginais Tietê e Pinheiros durante o primeiro ano da implantação da redução de velocidade nas duas vias. De julho de 2014 a junho de 2015, foram registrados 64 acidentes com mortes. De julho de 2015 a junho de 2016, ocorreram 31.

Segundo o balanço, a queda dos acidentes foi influenciada principalmente pela redução dos atropelamentos com mortes, que passaram de 24 ocorrências – de julho de 2014 a junho de 2015 – para apenas uma ocorrência no período de julho de 2015 a junho de 2016, redução de 95,8%. Já os acidentes com mortes envolvendo veículos caíram de 40 para 30 ocorrências, diminuição de 25%.

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Entre os números apresentados pelos movimentos ativistas está o de ciclistas e pedestres que passam pelas vias de São Paulo e estariam sujeitos a acidentes. Na Marginal Pinheiros, na altura da Ponte Cidade Universitária, calcula-se que 140 pessoas andem de bicicleta, das 7h às 8h, e 1,6 mil a pé, das 18h às 19h. Na Marginal Tietê, na altura da Ponte da Freguesia do Ó, foram contabilizados 90 ciclistas, das 18h às 19h, e 130 pedestres no mesmo horário.

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