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Número de imigrantes venezuelanos disparou e sobrecarregou os serviços de saúde do estado; pedidos de refúgio no Brasil já tem prazo para 2018

Fluxo intenso de venezuelanos levou o governo do estado a decretar situação de Emergência em Saúde Pública
TV Bandeirantes/Reprodução
Fluxo intenso de venezuelanos levou o governo do estado a decretar situação de Emergência em Saúde Pública


A crise político social da Venezuela vem causando problemas na região de Roraima, onde o fluxo intenso de venezuelanos que atravessa a fronteira entre os países levou o governo do estado a decretar "situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional" nos municípios de Pacaraima e Boa Vista. 

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"A gente tinha um fluxo migratório fronteiriço normal, tanto de brasileiros que trabalham na Venezuela, como de venezuelanos que trabalham no Brasil,  principalmente em Pacaraima que é a cidade de fronteira", relata Telma Lage, coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese de Roraima.

De acordo com ela, ao longo deste ano, a calmaria logo foi substituída por uma situação caótica. "Esse fluxo mudou, com número grande de solicitantes de refúgio. Só nos últimos meses, ocorreram quase 2 mil solicitações”, conta Telma. 

A espera dos pedidos a venezuelanos já chega ao ano de 2018. “Todos os dias tem fila na porta da Polícia Federal", explica. 

Sem ter para onde ir, muitos venezuelanos se instalaram nas ruas e nos poucos abrigos das principais cidades de Roraima, em busca de alimento e fonte de renda para sobreviver. A situação se agravou e sobrecarregou os serviços de saúde do estado.

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Yenny Muñoa / CubaMINREX/ Fotos Públicas - 20.03.2016
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Saúde

De acordo com estatísticas do Pronto Atendimento do Hospital Geral de Roraima (HGR), situado na capital, o número de venezuelanos atendidos aumentou de 324 em 2014 para 1.240 no ano de 2016, o que representa um aumento de 382,71%.

Em 2016, os atendimentos médicos em venezuelanos já atingem o percentual de 60,25% do total de atendimentos a estrangeiros. O índice de internação de venezuelanos já ultrapassou o de brasileiros: a cada 100 pacientes internados na capital de Roraima, 13 são da Venezuela e cinco do Brasil.

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A movimentação migratória também impactou as notificações de doenças infecciosas em 2016. Dos 2.517 casos de malária registrados em Roraima, 1.947 são procedentes da Venezuela. Dos 48 casos de Leishmaniose Tegumentar Americana, 33 ocorreram em venezuelanos e 100% dos novos infectados pelo vírus HIV também são do país vizinho.

O governo do estado declara que não tem infraestrutura básica para comportar o aumento expressivo dos atendimentos além de não ter condições de arcar “solitariamente com os custos advindos do fluxo migratório”. O decreto de emergência foi assinado na quarta-feira (7) e valerá por 180 dias.

“O que a gente sente é que tem que haver um esforço coordenado entre os governos municipais, estadual e federal. E até agora a gente não tem visto isso. Há uma política baseada no receio”, afirmaTelma Lage, coordenadora do Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese de Roraima.

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O presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNIG), Paulo Sérgio de Almeida, assegura que aguarda o relatório da missão formada por integrantes do Ministério da Justiça, Polícia Federal, Itamaraty e Acnur, que visitou Roraima em outubro deste ano para estudar as medidas que podem ser tomadas em apoio ao estado.

Paulo explica que o decreto de emergência deve agilizar a adoção de medidas de apoio do governo federal ao fluxo descontrolado de venezuelanos que chegam na região. 

* Com informações da Agência Brasil