MPF acredita que Sérgio Cabral e sua esposa ainda têm jóias escondidas

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, Adriana Ancelmo recebeu R$ 1,5 milhão de reais lavados no esquema de corrupção
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebo/Agência Brasil
Ex-governador do Rio, Sérgio Cabral foi preso na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato

A compra de jóias com dinheiro em espécie para lavagem de ativos era uma das estratégias da quadrilha que o Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça na Operação Calicute. O ex-governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, foi acusado de chefiar o grupo. Ele e a mulher, Adriana Ancelmo, ainda teriam jóias a serem encontradas, segundo aponta a investigação em curso.

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Nesta quarta-feira (7), o Procurador Regional da República, José Augusto Vagos, afirmou que, como cerca de R$ 6 milhões foram lavados pela quadrilha dessa forma, é possível que mais jóias ainda estejam escondidas com Cabral .  

"É uma tipologia tradicional na lavagem de dinheiro", disse. "Nossa suspeita é de que há jóias escondidas, que não foram encontradas até hoje. A quantidade de jóias compradas é muito maior do que as que foram encontradas na deflagração [da operação policial]", explica o procurador.

Ocultação de jóias é crime permanente

Segundo o procurador, a ocultação das jóias constitui crime permanente e pode render prisão em flagrante. A identificação dos objetos de valor ocorreu em grande parte após a deflagração da operação, que levou à prisão de Cabral, dois ex-secretários e outras quatro pessoas.

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Gerentes das joalheirias H.Stern e Antônio Bernardo, em que as compras eram efetuadas, foram ouvidos e precisaram os valores e a quantidade de jóias adquiridas pelo casal.

A possibilidade de ocultação das jóias foi um dos motivos para que a prisão preventiva de Adriana Ancelmo fosse pedida novamente pelo MPF, e executada na tarde deste (6). Na deflagração da Calicute, no mês passado, já havia um pedido semelhante, mas ele foi negado e Adriana foi conduzida coercitivamente a depor.

A Polícia Federal encontrou R$ 53.050 mil em espécie quando foi prender Adriana Ancelmo, nesta terça-feira . Cerca de 100 acessórios identificados como possíveis jóias ainda precisam ser periciados para que se confirmem objetos de valor. Três laptops e dois tablets também foram apreendidos.

Segundo a denúncia apresentada pelo MPF, a ex-primeira dama recebeu R$ 1,5 milhão de reais lavados no esquema de corrupção. Cerca de R$ 500 mil foram entregues em seu escritório, em espécie.

As investigações apontam que Cabral presenteou Adriana Ancelmo em seu aniversário com três jóias avaliadas em R$ 1 milhão. Quando completaram 10 anos de casamento, os dois compraram jóias no valor de R$ 1 milhão. As compras eram feitas sem notas fiscais, que só foram emitidas após a deflagração da Operação Calicute.

* Com informações da Agência Brasil.

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