Batizada de Operação Dragão, a ação da PF conta com dois mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em seis cidades brasileiras

Aproximadamente 90 policiais estão nas ruas cumprindo os mandados judiciais da Operação Lava Jato
José Cruz/Agência Brasil
Aproximadamente 90 policiais estão nas ruas cumprindo os mandados judiciais da Operação Lava Jato

Na 36ª fase da Lava Jato, policiais federais cumprem, na manhã desta quinta-feira (10), 18 mandados judiciais em cidades de São Paulo, do Paraná e Ceará. A ação, que foi batizada de Operação Dragão, conta com dois mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão.  

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De acordo com a Polícia Federal, nesta fase da Lava Jato o alvo são dois operadores financeiros que movimentavam recursos originários de operações fraudulentas entre empreiteiras e empresas com sedes no Brasil, envolvendo funcionários da Petrobras e executivos. São eles o empresário e lobista Adir Assad e o advogado Rodrigo Tacla Duran. Segundo a procuradoria, os dois são responsáveis por lavar mais de R$ 50 milhões para empresas investigadas na operação.

A força-tarefa da Lava Jato alega que Rodrigo Tacla Duran foi responsável por lavar milhões de reais por meio de suas empresas. Diversos envolvidos no caso valeram-se dessas empresas a fim de gerar recursos para realizar pagamentos de propina, como as empreiteiras UTC e Mendes Júnior. As construtoras teriam repassado , respectivamente, R$ 9,1 milhões e R$ 25, 5 milhões ao operador financeiro entre 2011 e 2013. No mesmo período, outras empresas contratadas pela administração pública também realizaram depósitos de mais de R$ 18 milhões com o mesmo destino.

As investigações também comprovaram que Adir Assad, por meio de transferências de contas mantidas por suas empresas, repassou R$ 24,3 milhões para Rodrigo Tacla Duran. No mesmo sentido, empresas ligadas a outro operador, Ivan Orefice Carratu, pessoa ligada a Duran, receberam de Adir Assad a quantia de R$ 2,9 milhões.

O nome Dragão, dado à investigação policial, é uma referência aos registros na contabilidade de um dos investigados que chamava de “operação dragão” os negócios fechados com parte do grupo criminoso para disponibilizar recursos ilegais no Brasil a partir de pagamentos realizados no exterior.

São apuradas as práticas, dentre outros crimes, de corrupção, manutenção não declarada de valores no exterior e lavagem de dinheiro. Aproximadamente 90 policiais estão nas ruas esta manhã cumprindo os mandados judiciais.

Os mandados de busca estão sendo cumpridos na cidade de Jaguaruana, no Ceará, nos municípios de Barueri, Santana de Parnaíba e na capital de São Paulo, e em Curitiba e em Londrina, no Paraná.

Última fase levou à prisão de Antonio Palocci

Na 35ª fase da Operação lava Jato, o ex-ministro Antonio Palocci foi preso preventivamente pela Polícia Federal . O petista é suspeito de ter cometido o crime de corrupção passiva por, supostamente, ter recebido propina da empreiteira Odebrecht em troca de favorecer a empresa no âmbito do governo federal.

Segundo as investigações, o petista teria atuado entre 2008 e 2013, quando já não era mais ministro, mas ainda exercia forte influência junto ao governo. Durante esse período, o PT e seus agentes – entre eles Palocci – teriam recebidos mais de R$ 128 milhões.

Em outubro, Palocci foi indiciado pelo crime de corrupção passiva . Palocci foi ministro da Fazenda no governo Luiz Inácio Lula da Silva e da Casa Civil na gestão Dilma Rousseff, ambos do PT.

Em setembro, o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Lava Jato em primeira instância, ordenou o bloqueio de R$ 128 milhões das contas bancárias de Palocci e de mais dois auxiliares.

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