"Nunca fiz nada ilegal", diz Lula em artigo publicado em sua defesa

Eleições municipais foram influenciadas por "caçada ao PT", afirma ex-presidente, que aproveitou para se defender de uma série de acusações
Foto: Roberto Parizotti / Cut - 15.09.2016
Ex-presidente Lula rebate durante discurso sobre a denúncia do MPF contra ele e sua mulher Marisa Letícia por crimes de corrupção

"Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar", escreveu o ex-presidente Lula em um artigo de opinião publicado nesta terça-feira (18) no jornal Folha de S.Paulo . No texto, que mistura desabafo, sofrimento e um viés de orgulho, o ex-presidente afirma-se como vítima de uma "verdadeira caçada judicial" e defende-se de uma série de acusações .

"Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história", afirma Lula . "Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política", continua.

Lula, que completa 71 anos no próximo dia 27, denuncia ainda uma "caçada ao PT" que teria influenciado diretamente no resultados das eleições municipais . De acordo com o ex-presidente, a imprensa teria sido uma ferramenta importante para sua condenação pública.

"Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma 'organização criminosa', e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que 'não há fatos, mas convicções'", afirmou.

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O presidente de honra do PT aproveitou o espaço também para se defender das acusações relacionadas à Operação Lava Jato e para negar, mais uma vez, que tenha um apartamento no Guarujá. "Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo", escreveu. "Acusam-me de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu", afirma. "Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal".

Defesa com ataque

Para Lula, quem o acusa de tais crimes e de outros se tornou "prisioneiro de uma mentira", por não poder mais voltar atrás nas acusações, devido ao reboliço causado pela mídia. O ex-presidente diz ainda que entende isso que chama de "caçada" como um ato político e que o condena. Frisa que o alvo verdadeiro desse ato político não é o Lula, como pessoa, mas o projeto de governo defendido por ele, "de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos".

Por fim, ele afirma que tem " a consciência tranquila e o reconhecimento do povo " e que confia "que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história". Lula encerra seu artigo reforçando a ideia defendida pela esquerda do país, de que o governo Temer seria uma "sombra do estado de exceção": "O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país".

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