Segundo a decisão da juíza, não ficou provado no processo que os técnicos do consórcio e do Metrô tinham condições de evitar o acidente de 2007

Cratera se abriu no canteiro de obras da estação Pinheiros, engolindo caminhões, maquinários e quem passava por lá
Flávio Torres/Fotomídia
Cratera se abriu no canteiro de obras da estação Pinheiros, engolindo caminhões, maquinários e quem passava por lá

A Justiça de São Paulo inocentou todas os 14 réus no caso do acidente nas obras do metrô de São Paulo  em janeiro de 2007, que deixou sete mortos. No acidente, que foi considerado a maior tragédia da história do metrô paulistano , uma cratera se abriu no canteiro de obras da estação Pinheiros, da Linha 4-Amarela, na zona oeste da capital, engolindo caminhões, maquinários e quem passava por uma das ruas no entorno. As informações foram publicadas no jornal Folha de S.Paulo desta terça-feira (18).

Após a tragédia, 5 funcionários da estatal (de médio ou baixo escalão, como gerentes e fiscais, mas ninguém da cúpula) e 9 do consórcio construtor ou de empresas terceirizadas (engenheiros, projetistas e um diretor) foram acusados de responsabilidade no acidente . As obras na Linha 4-Amarela eram de responsabilidade do Consórcio Via Amarela, liderado pela Odebrecht e integrado também por OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.

Segundo a decisão da juíza Aparecida Angélica Correia, da 1ª Vara Criminal de SP, não ficou provado no processo que os técnicos do consórcio e do Metrô tinham condições de evitar o acidente. O Ministério Público de São Paulo, autor da ação, recorreu da sentença em segunda instância e o recurso deve ser analisado em novembro, pelo Tribunal de Justiça.

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A juíza afirma que "Todas as equipes acompanhavam cuidadosamente cada passo da execução e não apontaram qualquer situação que indicasse a possibilidade de um acidente". Além disso, "o plano de emergência foi colocado em prática e de maneira eficiente, o que se verificou por meio das provas realizadas".

Acidente e consequências

O acidente aconteceu no dia 12 de janeiro de 2007, quando uma grande cratera de 80 metros de diâmetro se abriu no meio da Rua Capri, engoliu carros, caminhões e ônibus e matou sete pessoas. Entre elas estavam cinco pedestres, um cobrador de ônibus e um motorista. A Defesa Civil condenou 11 imóveis, 7 foram demolidos e 76 permaneceram interditados por várias semanas. Muitos nem chegaram a apresentar risco de desabamento, mas havia o receio de que a grua da obra caísse sobre as demais residências.

As obras na Linha 4-Amarela eram de responsabilidade do Consórcio Via Amarela
TV iG
As obras na Linha 4-Amarela eram de responsabilidade do Consórcio Via Amarela

Uma das vítimas era a aposentada Abigail Rossi de Azevedo, de 75 anos, que caminhava pela rua ao lado da obra quando o chão ruiu. "Essa decisão só abre caminho para que uma tragédia dessas volte a acontecer. A partir do momento em que a Justiça inocenta todo mundo, ela incentiva que as grandes empreiteiras continuem fazendo as coisas mal feitas", disse Silvio Antônio de Azevedo, filho de Abigail .

A magistrada afirmou que, "evidentemente, o acidente causou sofrimento às famílias". "Mas também aos réus e aos seus familiares que durante anos estão aguardando o deslinde dessa ação penal. E cabe ao Poder Judiciário analisar a questão, de maneira isenta, sem influenciar-se pelo clamor popular, mas tão somente com base nas provas colhidas", disse.

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