Responsável pela implantação das UPPs, José Mariano Beltrame pediu exoneração após 9 anos e nove meses e deve deixar cargo até o fim do mês


José Mariano Beltrame foi responsável pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora em comunidades
Márcio Mercante/O Dia
José Mariano Beltrame foi responsável pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora em comunidades

O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, deixará o posto depois de nove anos e nove meses no cargo. Ele enviou seu pedido de exoneração para o governador em exercício, Francisco Dornelles (PP), e para o governador licenciado, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Beltrame deve deixar o cargo no final desse mês, logo depois do segundo turno das eleições municipais do dia 30 de outubro, que no estado do Rio acontecerá em oito municípios.

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Delegado da Polícia Federal, Beltrame assumiu a Secretaria de Segurança em janeiro de 2007, no início do governo de Sérgio Cabral,  e se tornou conhecido pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) na cidade do Rio. Ele é o secretário de Segurança a permanecer mais tempo no cargo.

A atuação de Beltrame foi muito questionada ao longo dos últimos anos, especialmente devido a ocorrências de violência policial. Somente no ano passado, o noticiário nacional foi tomado por uma série de chacinas promovidas por policiais cariocas, como a execução de cinco jovens da comunidade de Costa Barros. Ainda em 2015, alguns PMs chegaram inclusive a disparar contra inocentes ao confundirem com armas um macaco hidráulico e um skate. Cinco policiais também foram flagrados em 2015 colocando um revólver na mão de um jovem morto no Morro da Providência, na zona norte da capital fluminense.

Outra medida que marcou a atuação recente de Beltrame na Segurança do Rio foi a Operação Verão, operação especial para coibir a ocorrência de arrastões em praias da zona sul. A operação também foi muito criticada por alas da sociedade porque a polícia era acusada de discriminar jovens negros e pobres, uma vez que passageiros de ônibus que vinham da periferia eram abordados sistematicamente ao se dirigirem às praias de bairros ricos da cidade.

Pavão-Pavãozinho

Operação policial após ataques a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) teve a participação de  120 policiais
Fernando Frazão/Agência Brasil - 11.10.16
Operação policial após ataques a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) teve a participação de 120 policiais

O anúncio da saída de Beltrame se dá um dia após um intenso tiroteio na comunidade Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, que se estendeu desde a manhã até o final da tarde da segunda-feira (10).

Pelo Twitter, Beltrame comentou o ocorrido na zona sul da cidade. "As imagens produzidas ontem são péssimas para a cidade, mas a polícia não pode se omitir e, mais uma vez, cumpriu seu papel. Ontem, a UPP e o Comando de Operações Especiais evitaram novamente uma guerra entre quadrilhas", escreveu o secretário.

O comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local, capitão Vinicius Apolinário de Oliveira, foi ferido por estilhaços durante o confronto. Ele foi levado para o hospital da Polícia Militar e depois liberado. Dois militares do Batalhão de Choque também ficaram feridos.

O subcomandante do Batalhão de Choque, major Vinícius Carvalho, disse que o confronto começou quando traficantes atacaram a base da UPP, mas não soube dizer o motivo que levou os criminosos a fazerem isso.

“A operação contou com 120 policiais e teve início porque os criminosos atacaram a base da UPP Pavão. Neste primeiro confronto, um marginal foi baleado, ele estava com um [fuzil] AK47. E um segundo foi baleado, com uma pistola. Na parte da tarde, vários criminosos ficaram encurralados na parte da mata, quando houve uma negociação e eles se renderam”, relatou o major.

Na manhã desta terça-feira, muitos comerciantes fecharam as portas na rua que dá acesso à comunidade e o policiamento segue reforçado na região onde ocorreram os tiroteios. Segundo a Secretaria de Educação, todas as escolas da rede estadual que ficam na área do Pavão/ Pavãozinho estão funcionando normalmente.

*Com informações da Agência Brasil

Operação policial após ataques às bases das UPPs nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho
Fernando Frazão/Agência Brasil - 11.10.16
Operação policial após ataques às bases das UPPs nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho