Guido Mantega deixa sede da PF em São Paulo

Pedido de prisão temporária do ex-ministro da Fazenda foi revogado pelo ministro Sérgio Moro; economista foi detido na 34ª fase da Lava Jato
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil - 3.1.2014
Ex-ministro da Fazenda deixou a sede da PF em São Paulo após ter pedido de prisão revogado por Sérgio Moro

Após a revogação de seu pedido de prisão temporária, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega deixou a sede da Polícia Federal (PF) em São Paulo no início da tarde desta quinta-feira (22). Ele saiu do prédio, localizado no bairro da Lapa, Zona Oeste da Capital paulista, sem falar com a imprensa.

O economista, que integrou os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, foi detido no período da manhã na 34ª fase da Operação Lava Jato. Ele foi detido no Hospital Albert Einstein, onde estava para acompanhar uma cirurgia da sua mulher, que sofre de um câncer. Ele seria transferido para Curitiba, onde estão concentradas as investigações sobre o esquema de desvio de recursos na Petrobras.

A revogação da prisão foi determinada pelo juiz federal Sérgio Moro, que afirmou que Mantega não representaria "riscos de interferência para a colheita das provas" neste momento.  "O ex-ministro acompanhava o cônjuge acometido de doença grave em cirurgia. Tal fato era desconhecido da autoridade policial, MPF [Ministério Público Federal] e deste juízo", acrescentou Moro.

"Segundo informações colhidas pela autoridade policial, o ato foi praticado com toda a discrição, sem ingresso interno no hospital. Não obstante, considerando os fatos de que as buscas nos endereços dos investigados já se iniciaram e que o ex-ministro acompanhava o cônjuge no hospital e, se liberado, deve assim continuar, reputo, no momento, esvaziados os riscos de interferência da colheita das provas nesse momento."

A decisão de Sérgio Moro foi tomada sem que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal fossem consultados. O magistrado, no entanto, considerou a matéria urgente e disse que sua decisão "provavelmente seria também a posição do MPF e da autoridade policial".

"Assim, revogo a prisão temporária decretada contra Guido Mantega, sem prejuízo das demais medidas e a avaliação de medidas futuras", determinou o juiz.

Apesar das ponderações feitas pelo juiz, o pedido de prisão temporária foi duramente criticado pelo advogado de Mantega, José Roberto Batochio .

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Propina ao PT

A 34ª fase da Lava Jato, batizada de Arquivo X, apura irregularidades na contratação de empresas pela Petrobras para a construção de duas plataformas para exploração de petróleo na camada do pré-sal.

Conforme o MPF, Eike Batista, ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, prestou depoimento a procuradores e declarou que, em novembro de 2012, "recebeu pedido de um então ministro e presidente do Conselho de Administração da Petrobras para que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões, no interesse do Partido dos Trabalhadores [PT]".

Ainda de acordo com o MPF, Batista disse que, para fazer o repasse, firmou um contrato "ideologicamente falso" com uma empresa de publicitários já denunciados na Operação Lava Jato. Essa empresa foi acusada de firmar contratos fictícios para lavar dinheiro cuja origem era ilícita.

Em depoimento à Promotoria, Batista teria detalhado como foram feitos os repasses. Após uma primeira tentativa frustrada, em dezembro de 2012, foi feita – em abril do ano seguinte – uma transferência de US$ 2,35 milhões no exterior entre contas de Batista e dos publicitários.


* Com informações da BBC Brasil

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