Ciclovia que desabou no Rio será reformada pela mesma empresa que a construiu

Segundo o prefeito Eduardo Paes, foram vistos problemas no projeto, mas não na execução de trecho que caiu em abril






A Prefeitura do Rio de Janeiro decidiu reconstruir o trecho da ciclovia Tim Maia que desabou em abril deste ano. A reforma dos pilares e da pista ficará a cargo do consórcio Contemat/Concrejato, o mesmo que ergueu a ciclovia.

Para o prefeito Eduardo Paes (PMDB), não há problema nisso. "Ficou claro que houve erro de projeto, não foi de execução. Portanto a obrigação dessa empresa é concluir o seu trabalho", afirmou o prefeito. Segundo ele, é preciso esperar a investigação policial para tornar o consórcio inidôneo e, portanto, inapto para fazer obras públicas.

O trecho que desabou em 21 de abril, deixando dois mortos, será reconstruído e ganhará pilares mais robustos - a base dos apoios medirá 2 metros por 60 centímetros. Os apoios que caíram com a força das ondas mediam 70 centímetros por 70 centímetros.

Além disso, haverá um sistema de monitoramento de ressacas, responsável por avisar quando as ondas estiverem muito altas - o que poderá interditar a ciclovia. Serão nove pontos com cancelas e semáforos avisando que é proibido circular por ali. 

O sistema para acompanhar ondas demandará duas duas boias de monitoramento, compradas pela prefeitura. Esses equipamentos vão se juntar a outros dois, que pertencem à Marinha, e já dão alerta de ressaca. De acordo com Paes, os quatro equipamentos fornecerão dados mais completos que alimentarão o Alerta Rio. "Ressaca nunca foi um tema do Rio de Janeiro. Não são poucos os casos em que a pessoa está vendo ressaca e acaba morrendo arrastado pelas águas. Nossa ideia é fazer mais um monitoramento alertando a população", afirmou Paes.

O prefeito admite que a via pode não estar pronta a tempo para a Olimpíada. Só será liberada depois que forem concluídos os estudos de batimetria (estudos das ondas e do fundo do mar) e o sistema de monitoramento.

"Era um desejo, uma vontade (abrir a ciclovia para os Jogos). A cidade passou por mudanças importantes. Seria muito triste aquela obra ficar marcada pelo acidente e não permitir que os turistas desfrutassem de ciclovia tão bonita. Mas a gente vai fazer isso com toda a segurança. Não estamos pautados pela Olimpíada", afirmou.

Paes voltou a cobrar que os responsáveis pelo desabamento sejam punidos "de acordo com o CPF e não pelo CNPJ". "Essa é uma cultura brasileira que tem de mudar. Não é difícil chegar ao CPF. A culpa política é do prefeito. Apanho politicamente por isso, merecidamente. Mas tem a responsabilidade objetiva."

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