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Segundo dados, onda que derrubou ciclovia na Niemeyer era seis vezes mais forte do que a parte da estrutura atingida

A ciclovia erguida nas obras de duplicação do Elevado do Joá não será mais inaugurada junto com as pistas novas da via que liga a Barra da Tijuca a São Conrado, no Rio de Janeiro. Isso porque parte da ciclovia é suspensa sob o mar e sua execução foi de responsabilidade da Concrejato, uma das empresas que participaram da construção da ciclovia Tim Maia, na Niemeyer, que desabou há um mês . A informação foi divulgada na sexta-feira (20), pelo prefeito Eduardo Paes.

Acidente na ciclovia da avenida Niemeyer, Zona Sul do Rio de Janeiro
Fernando Frazão/ Agência Brasil - 21.04.16
Acidente na ciclovia da avenida Niemeyer, Zona Sul do Rio de Janeiro


A ciclovia passa por dentro do viaduto, mas a entrada é pela praia do Pepino, por uma espiral que fica suspensa sob o mar. “Vamos inaugurar as obras do elevado em no máximo duas semanas, mas a ciclovia, mesmo pronta, não será aberta”, disse Paes. Novos estudos estruturais estão sendo realizados para que a sua inauguração seja liberada.

A duplicação do Elevado deve ser entregue dois anos após o início das obras. A Concrejato, empresa que participou da construção da via na Niemeyer, recebeu R$ 66,6 milhões para participar das obras da ciclovia do Joá.

Paes também anunciou dados preliminares dos laudos técnicos encomendados pela prefeitura. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias, a onda que atingiu a ciclovia Tim Maia era seis vezes mais forte do que a parte da estrutura atingida que acabou desabando. A laje que desabou poderia aguentar até 0,55 toneladas por metro quadrado, mas a onda que atingiu a parte que desabou tinha uma potência de 3,1 toneladas. Na ação, duas pessoas morreram.

Paes irá reformar ciclovia

Parte da estrutura da ciclovia Tim Maia desabou depois de fortes ondas
Fábio Motta/Estadão Conteúdo - 23.04.16
Parte da estrutura da ciclovia Tim Maia desabou depois de fortes ondas


O prefeito Eduardo Paes confirmou que houve erro de cálculo na construção da ciclovia da Niemeyer. “Está claro que houve um erro no projeto. Mas a prefeitura fez o projeto básico, o executivo é da empresa”, disse. Paes também afirmou que a ciclovia será reformada e não destruída, mas o início das obras de reconstrução dependem dos laudos técnicos finais.

Até o momento, somente o laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli foi concluído. O órgão da Polícia Civil aponta que houve erro estrutural e que o trecho que desabou tinha apenas uma viga, enquanto os demais possuíam duas.

Segundo os técnicos, isso ocorreu porque a empresa Engemolde, que forneceu os pilares e lajes usados na construção, não teria conseguido produzir uma viga com a extensão necessária para o trecho atingido. Com isso, a empresa Premag foi contratada e usou apenas uma viga.

A empresa Premag teve três contratos firmados durante a gestão de Paes na prefeitura. Dois deles para a construção de passarelas na Avenida Brasil.

Uma dessas vias, inaugurada em abril de 2012, ao custo de R$ 1,9 milhão, é alvo de reclamações dos usuários. “Não me sinto seguro atravessando essa passarela, ela balança demais. Minha mochila já ficou presa nessas grades soltas”, contou o marinheiro Flávio Eduardo, de 23 anos.

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