Segundo Polícia Civil do Rio, consórcio responsável pela obra previu efeito do mar em pilares, mas ignorou que as ondas pudessem deslocar plataformas; acidente deixou dois mortos

Estadão Conteúdo

Ondas derrubaram trecho da ciclovia Tim Maia em São Conrado, na zona sul do Rio
Fernando Frazão/ Agência Brasil - 21.04.16
Ondas derrubaram trecho da ciclovia Tim Maia em São Conrado, na zona sul do Rio

O consórcio formado pelas construtoras Contemat e Concrejato não realizou os cálculos estruturais necessários para prever o efeito das ondas marítimas sobre a plataforma da ciclovia Tim Maia, construída em São Conrado (zona sul do Rio), afirmaram nesta quarta-feira (4) peritos da Polícia Civil do Rio. Apoiada nos pilares sem qualquer tipo de amarração, parte da plataforma foi atingida por uma onda e desabou em 21 de abril. Duas pessoas morreram.

Segundo Liu Tsun Yaei, perito responsável pela equipe do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que analisou os 16 volumes com dados sobre a construção da ciclovia, o consórcio previu o efeito das ondas sobre os pilares que sustentam as plataformas, mas não sobre elas próprias. “Esse cálculo é indispensável para saber como fazer a obra”, afirmou.

“A partir desses cálculos os engenheiros saberiam os riscos do impacto das ondas sobre a ciclovia e poderiam estudar várias hipóteses: fazer a amarração do tabuleiro no pilar que o sustenta, fazer um anteparo para conter a força das ondas, fazer uma construção única ou qualquer outra alternativa”, disse o perito.

Segundo ele, esses cálculos não precisariam estar presentes no projeto básico, fornecido pela prefeitura do Rio para indicar como deveria ser a obra, mas teriam que constar do projeto executivo, desenvolvido pelo consórcio – que também foi responsável por executar esse projeto, construindo a ciclovia.

O trecho que desabou da plataforma estava encaixado no pilar de forma diferente dos demais trechos, mas, para o perito, isso não interferiu nem foi causa do acidente. “O pilar continua lá, porque foi construído para suportar a força das ondas. A plataforma não quebrou ao ser atingida pela onda, mas não consideraram que ela poderia ser deslocada pela força do mar. Ela tombou, inteira, e se fragmentou depois, por causa da queda” contou Yaei. O fato de faltarem parafusos em alguns trechos da ciclovia também não foi causa para o desabamento, segundo o perito.

O consórcio Contemat/Concrejato não havia se manifestado sobre a perícia até o fim da tarde desta quarta-feira. Em nota divulgada em 24 de abril, o consórcio informa estar realizando uma investigação interna para apurar responsabilidades pelo acidente.


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