Empresas responsáveis pelo projeto são afastadas de licitações e Ministério Público apura problemas administrativos na obra

O Dia

A ciclovia Tim Maia, construída com peças pré-moldadas, desabou ao ser atingida por uma onda
Fernando Frazão/ Agência Brasil - 21.04.16
A ciclovia Tim Maia, construída com peças pré-moldadas, desabou ao ser atingida por uma onda



“Essa ciclovia está condenada. Tem que ser demolida!”. Quem sentencia é a arquiteta e urbanista Ana Teresa Nadruz, autora de uma petição pública que pede a demolição total da ciclovia Tim Maia e está conquistando cada vez mais adesões na internet.

Segundo a Nadruz, que tem 40 anos de experiência em gerência de grandes projetos – em seu currículo, ela acumula 30 edifícios de grande porte, além de 22 shoppings centers – são foram cometidos tantos erros na concepção do projeto que a obra, que custou cerca de R$ 44,7 milhões, deveria virar entulho.

Para a arquiteta, a ciclovia que desabou na quinta-feira (21), matando duas pessoas, jamais poderia ter sido construída à beira-mar e muito menos ter sido montada com estruturas pré-moldadas. “Essa opção é ideal para quem tem pressa. Os shoppings, por exemplo, são feitos com pré-moldados. Só que não estão sujeitos às intempéries do mar”, critica. Nadruz diz, ainda, que a pista não resistiria ao "soco no queixo, de baixo pra cima, que levou das ondas" nem se tivesse sido devidamente pregada. 

Na avaliação dela, a pista é perigosa tanto para pedestres quanto para ciclistas. “Um corredor estreito que tem um precipício de um lado e uma pista de automóveis do outro não tem saída, rota de fuga, nada”, alerta. O movimento já está ganhando força: na terça-feira (26), a vereadora Teresa Bergher (PSDB) entrou com petição civil pedindo a demolição da ciclovia e a devolução aos cofres públicos do dinheiro pago à construtora.

Duas pessoas morreram no desabamento da ciclovia, que custou 44,7 milhões dos cofres públicos
Fábio Motta/Estadão Conteúdo - 23.04.16
Duas pessoas morreram no desabamento da ciclovia, que custou 44,7 milhões dos cofres públicos



Fora da concorrência

A prefeitura do Rio afastou as empresas Contemat e Concrejato, do grupo Concremat, de todos os processos de contratação e licitação de obras de estrutura durante os trabalhos de apuração das responsabilidades técnicas pelo acidente da ciclovia. A decisão deve ser publicada nesta quarta-feira (27) no Diário Oficial. Enquanto isso, todos os pagamentos destinados às duas empresas estão retidos.

Na terça-feira (26), o Ministério Público do Rio instaurou um inquérito para apurar possíveis atos de desonestidade administrativa na contratação da Concremat, no acordo feito entre a empresa e a Geo-Rio. A investigação deve apurar as circunstâncias da contratação, por meio de licitação de menor preço, e condições técnicas.

A ciclovia Tim Maia foi a primeira grande obra na gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB), dos 54 contratos firmados entre construtora e município desde 2009 – 46 deles feitos sem licitação. 

Veja imagens do desabamento e do trabalho de resgate das vítimas:




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