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Segundo o Corpo de Bombeiros, dois homens foram achados no mar sem vida; avenida Niemeyer está totalmente interditada

Corpo do engenheiro Eduardo Marinho, de 53 anos, foi identificado pela mulher e o cunhado
Marcio Dolzan/Estadão Conteúdo - 21.04.16
Corpo do engenheiro Eduardo Marinho, de 53 anos, foi identificado pela mulher e o cunhado

Parte da ciclovia Tim Maia, em São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro, desabou na manhã desta quinta-feira (21). A ciclovia, que é suspensa e junto ao mar, teve um trecho de mais de 50 metros arrancado por uma forte onda. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, duas pessoas morreram e três ficaram feridas.

Uma das vítimas foi identificada como Eduardo Marinho, de 53 anos. O homem era engenheiro e morador do bairro de Ipanema. De acordo com a médica Eliane Albuquerque, mulher da vítima, Marinho saiu nesta manhã para caminhar e passava pela área quando a ciclovia desabou.

A equipe de resgate diz que outro homem foi encontrado no mar já sem vida, mas ainda não há identificação do corpo.

O secretário municipal de Governo do Rio, Pedro Paulo Carvalho, classificou o acidente como "inaceitável". Segundo ele, mergulhadores do Corpo de Bombeiros procuram uma possível terceira vítima. Ainda de acordo com Carvalho, toda a ciclovia ficará interditada por tempo indeterminado. "Neste momento devemos deixar os bombeiros trabalharem para encontrar essa possível terceira vítima e o time de engenharia avaliar para dar um parecer do que causou o acidente", declarou o secretário. Técnicos da Prefeitura estão no local para apurar as circunstancias do acidente.

Inaugurada recentemente, em janeiro, a ciclovia foi atingida por uma forte onda que, além de destruir o local, também quebrou o parabrisa de um ônibus. Agentes da CET-Rio estão no local e, por conta do acidente, a via está totalmente interditada nos dois sentidos.

Na quarta-feira (20), moradores e turistas afirmaram que sentiram um tremor na via. "Eu levei três turistas no Castelinho e sentimos a ciclovia tremendo muito cada vez que uma onda batia. Eu comentei que aquilo ia acabar caindo", conta Ana Lima, guia de turismo.

Desabamento

"Provavelmente, o que aconteceu foi um problema de projeto", afirmou José Schipper, vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ). De acordo com o engenheiro, "não deve ter sido levado em conta um esforço de carga forte vertical, de baixo para cima, nem transversal. A ligação entre os pilares e a parte horizontal da estrutura é feita com amarração de ferro. Eles estão interligados, mas talvez não o necessário para aguentar a força de ondas fortes como essas", afirmou.

Construção da ciclovia teve início em junho de 2014 com um custo de cerca de R$ 45 milhões
Maíra Coelho/Agência O Dia/Estadão Conteúdo - 21.04.16
Construção da ciclovia teve início em junho de 2014 com um custo de cerca de R$ 45 milhões

Ainda de acordo com o especialista, a estrutura poderá ser reparada. No entanto, é preciso fazer um "reforço" e uma "amarração do pilar junto com o tablado da ciclovia".

O desabamento do trecho da ciclovia ocorreu pouco mais de quatro meses após sua inauguração. A construção teve início em junho de 2014 com um custo de aproximadamente R$ 45 milhões. Em 17 de janeiro, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, inaugurou a primeira parte da ciclovia, que vai apenas do Leblon à São Conrado e tem 3,9 quilômetros. Ainda não há data para a entrega da segunda parte da pista, que vai ligar São Conrado à Barra. 

*Com Estadão Conteúdo e O Dia


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