Autor de pichação em símbolo carioca é descoberto após postar vídeo na web

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Grafiteiro conhecido como Kadu Ori afirma que há pelo menos 14 anos sonhava em pichar o relógio da Central do Brasil

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De cabeça para baixo, no relógio da Central do Brasil: vídeo foi gravado a 70 m de altura
Reprodução
De cabeça para baixo, no relógio da Central do Brasil: vídeo foi gravado a 70 m de altura


Ele desafiou a altura e as autoridades para realizar um sonho alimentado desde os 14 anos: pichar um dos símbolos do Rio de Janeiro, o relógio da Central do Brasil. “Sei que é crime o que eu fiz. Já havia tentado subir no relógio uma vez. Era um sonho antigo. Não me arrependo, mas não farei mais”, diz o grafiteiro Paulo Roberto Barçante, mais conhecido como o Kadu Ori, de 21 anos.

Chamado de “lenda” no Facebook, o jovem escreveu a frase "Nossa pátria está onde somos amados" no alto da Central do Brasil, no último dia 2 de fevereiro, e foi descoberto após postar o vídeo em sua página na rede social, mostrando detalhes da ação, mas responde em liberdade.

Kadu alega que fez a pichação em protesto às agressões sofridas por três grafiteiros na Saara em janeiro. O caso veio à tona após vídeo do espancamento ser divulgado na internet. “Fiquei muito indignado. Já passei por isso e não pude fazer nada”, conta. “Sou grafiteiro há seis anos, não mais pichador. Vou pagar pelo que fiz e quero ficar tranquilo com minha família.”

No início da filmagem, feita por ele mesmo com uma câmera especial presa na testa, Kadu revela que já havia tentado a façanha quando era menor. “Estou indo para a minha missão. Eu me devo isso há muitos anos”, diz no vídeo. A uma altura de mais de 70 metros, amarrado a uma corda, Kadu se pendura no ponteiro, que se move, para pichar o relógio. Ele conta que entrou pela porta principal do histórico prédio sem ser abordado pela segurança, às 15h30. Levava mochila com sete latas de tinta, duas cordas e luva e subiu até o 24º andar pelas escadas. No edifício, funcionam as secretarias de Segurança e de Administração Penitenciária e outras unidades do governo do Estado.

Pichar o patrimônio público é crime previsto na Lei Ambiental, mas, por ser considerado de “menor potencial ofensivo”, não prevê prisão. O processo corre no Juizado Especial Criminal (Jecrim). Kadu contou que já foi autuado pelo mesmo crime oito vezes.

Rap, risada e rapel para sujar relógio
Kadu filmou cada passo do processo, desde a saída de casa até a subida ao relógio. O vídeo mostra o grafiteiro andando dentro do prédio e depois no alto do edifício já próximo ao relógio cantando um rap, rindo e admirado com a vista. Na delegacia, ele deu detalhes de como acessou o local.

O pichador afirma que, ao chegar ao 21º andar, passou por uma portinhola, onde há uma escada que dá acesso ao 24º, local onde fica o mecanismo do relógio e uma abertura que dá acesso aos ponteiros.

Ele revela que ficou escondido ali até as 21h15, quando começou a pichar. A ação durou 15 minutos. Após a pichação, ele disse no vídeo: “Acabou, aqui deixo o meu legado”.

No depoimento, Kadu ainda contou que agiu sozinho e deixou o lugar por volta das 21h da mesma maneira que entrou: pela porta principal e sem ser abordado por nenhum segurança.

FONTE/ O DIA

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