Bala perdida fere um carioca a cada dois dias

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41º BPM lidera ranking, com 12 dos 115 casos até setembro. Área de Unidade Polícia Pacificadora, Coroa/Fallet teve seis

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Cento e quinze. Este é o número de moradores da Região Metropolitana do Rio feridos por balas perdidas de janeiro a setembro deste ano, de acordo com levantamento feito pela Polícia Militar, obtido com exclusividade pelo DIA. A campeã, com 12 vítimas, é a área do 41º Batalhão de Polícia Militar, que engloba Colégio, Irajá, Vista Alegre, Vila da Penha, Vicente de Carvalho, Vila Cosmos, Guadalupe, Ricardo de Albuquerque e Anchieta. Inclui também Parque Anchieta, Pavuna, Barros Filho, Parque Colúmbia, Acari e, finalizando, Costa Barros. Foi lá que, em novembro, cinco jovens foram fuzilados em emboscada policial, confundidos com ladrões de carga. 

Caveirão passa pela Rua Itapiru, durante a guerra pela disputa dos pontos de tráfico no Fallet, em julho
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Caveirão passa pela Rua Itapiru, durante a guerra pela disputa dos pontos de tráfico no Fallet, em julho

Os números surgem dentro do esforço da corporação para tentar entender sua participação na onda de violência crescente na cidade, e estão no mesmo contexto do Sismatbel (Sistema de Controle de Material Bélico e Munições), implementado pela cúpula da corporação, que passou a monitorar os disparos e a produtividade de cada batalhão. Para se ter uma ideia, apenas um GAT (Grupamento de Apoio Tático) do 41º foi responsável pela morte de 17 pessoas em conflitos neste ano. Para o coronel Robson Rodrigues, chefe do Estado-Maior da PM, quanto menos a polícia atira, menor as chances de as balas encontrarem alvos.

“O mapa que o Sismatbel oferece é fundamental para pensarmos a política contra a violência de cada região”, diz Robson. O 41º BPM tem também, em seus quadros, os cinco policiais que mais atiraram este ano — foram 2002 disparos no mesmo período, o que dá a incrível média de 222,4 tiros por mês.

Apesar disso, diz o oficial, os números de roubos de rua na região do batalhão não diminuiram — pelo contrário, cresceram até setembro, quando entrou em ação o programa de gestão e controle do uso da força letal, retirando do patrulhamento os pliciais que atiram acima da média. “Desde então os roubos diminuíram, desmistificando a crença de que o combate ao tráfico, da forma como vinha sendo feito antes, reduz a violência.”

No ranking das balas perdidas, uma surpresa. A sétima colocada é uma área com UPP —, a do Fallet, Fogueteiro e Coroa, com seis vítimas. O número reflete a disputa pela área em julho, quando facções entraram em confronto que só terminou com a entrada do Bope. Entre o líder 41º e a UPP, cinco batalhões se destacam negativamente pelo grande número de feridos em suas áreas: 14º (Santíssimo, oito), 3º (Méier, sete), 7º (São Gonçalo, sete) 12º (Niteroi, seis) e 20º (Nova Iguaçu, seis).

“Criou-se uma cultura nos batalhões de que o GAT é uma espécie de Bope genérico. Mas não é. O 41º BPM recebeu este modelo, até por ser uma área conflagrada e que exige muito do policial por conta dos altos índices de criminalidade”, diz Robson. “O fato de atirar mais não significou, em nenhum momento, mais segurança para o morador. E muito menos para o policial.”

Crescem autos de resistência

A implantação do sistema de controle de armamentos, além de mostrar quem dispra mais e em que situação, revelou outro ranking: o dos autos de resistência. Até novembro a PM contabilizou 617 casos deste tipo em áreas de seus batalhões. O auto de resistência é um indicador importante para especialistas da área de segurança pública.

7º BPM é o que mais atirou em 2015

Apesar de não ser o campeão das balas perdidas, o 7º BPM (São Gonçalo) lidera o ranking entre os batalhões que mais gastaram munição até outubro. Segundo números do Sismatbel, seus soldados e oficiais dispararam 15.707 tiros de armas de fogo até outubro deste ano, contra 11.560 do 41º BPM, líder dos casos de balas perdidas.

O Bope está em terceiro lugar no ranking, mas a cúpula da PM entende ser compreensível, pois o batalhão tem sido chamado a intervir em várias áreas desde que a polícia criou o sistema de bandeiras para as UPPs —as vermelhas exigem sempre a entrada em ação dos especializados.

O quarto colocado é o 12º BPM (Niterói), que disparou 5.948 vezes, à frente do Batalhão de Choque — outro que tem sido exigido acima da média como tropa de ocupação nas favelas onde há conflitos. Por fim, o 20º BPM, que atua em Nova Iguaçu e atirou 4.615 vezes.

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