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Brasília teve protesto contra alteração em projeto que dificulta o aborto em casos de estupro, após atos no RJ e em SP

Agência Brasil

Mulheres protestam em Brasília contra projeto que criminaliza o auxílio ao aborto
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 31.10.2015
Mulheres protestam em Brasília contra projeto que criminaliza o auxílio ao aborto

Manifestantes que são contrários ao projeto de lei (PL) 5.069/13, que criminaliza o “induzimento, instigação ou auxílio ao aborto” realizaram neste sábado (31) uma manifestação na Estação Rodoviária do Plano Piloto, na área central de Brasília. Segundo a Polícia Militar, cerca de 300 pessoas participaram do ato.

O projeto, assinado originalmente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e com substitutivo do relator Evandro Gussi (PV-SP), foi aprovado no último dia 21 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por 37 votos a 14.

“Esse PL, como foi amplamente divulgado, dificulta o acesso ao aborto nos termos já previstos em lei, em casos de estupro. Pune os médicos que realizarem esses atos e abre brecha para pílula do dia seguinte ser criminalizada por uma compreensão de que é método contraceptivo abortivo”, criticou a integrante do Juntas, setorial feminista do coletivo Juntos, Ayla Viçosa. O projeto não especifica quais substâncias são proibidas.

Durante o ato, com cartazes, gritos de protesto e música, os manifestantes pediram também a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Com a aprovação na CCJ, o projeto segue para o Plenário da Câmara.

Entre os manifestantes, homens também demonstraram apoio à causa. O advogado Dimitri Graco foi um deles. “[O protesto] é mais que legítimo e necessário para conter um processo de retrocesso com relação aos direitos das mulheres, inclusive os direitos de liberdade e escolha”, disse.

Para Rebeca Religare, representante da Coletiva Corpolitica, o ato é uma forma de manifestar o pensamento da sociedade. “A gente acredita que a sociedade civil tem condições de colocar o que pensa, de mudar e mais uma vez estamos em um movimento pacifista, sem armas e estamos dialogando com a casa do povo que é a Câmara.”