Marcha da Maconha carioca defende erva medicinal e liberdade para plantio

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Pais levaram filhos com epilepsia e outras doenças para exigir a liberação do canabidiol para tratamentos médicos no Brasil

Agência Brasil

A Marcha da Maconha do Rio de Janeiro teve dois temas neste ano: a luta pela liberdade de todos os cultivadores da erva que estão presos e a solidariedade às vítimas da guerra às drogas. O advogado André Barros, autor da representação no Supremo Tribunal Federal (STF) que descaracterizou a marcha como uma apologia ao uso da maconha, disse que atualmente há 20 pessoas presas devido à produção da planta somente na capital fluminense.

Pais com crianças doentes pediram liberação do canabidiol no Brasil, neste sábado (9), na Marcha da Maconha carioca. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilMarcha foi realizada na divisa entre as praias do Leblon e Ipanema, e reuniu 150 pessoas, segundo a PM. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilTema da marcha foi a luta pela liberação do plantio da maconha e solidariedade com usuários presos. Foto: Tomaz Silva/Agência BrasilA Marcha da Maconha ainda será realizada em outras cidades, como em São Paulo, no final do mês. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Para ele, a prisão é "uma farsa" porque muitas vezes o material recolhido inclui a planta completa e até a terra onde ela está sendo cultivada. “Colocam em uma balança e dizem que ali tem 2 quilos. Só que a substância proibida, que é o THC, só existe na flor da planta fêmea, então eles não podem colocar na hora da pesagem toda a planta. Os juízes estão julgando sem conhecimento da prova material do crime”, explicou.

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A advogada Margarete Brito, mãe de Sofia, de 6 anos, estava na frente da marcha, empurrando o carrinho de criança em que transportava a filha, que tem epilepsia refratária. Assim como ela, outras mães  carregavam os filhos defendendo o uso medicinal da maconha. “Houve evolução: o eletroencefalograma da minha filha é outro antes e depois do tratamento com a maconha. Ela melhorou muito, ficou mais esperta, mais atenta, sorri mais”, contou Margarete.

De acordo com ela, o tratamento na rede pública costuma demorar um ano entre a sentença do juiz e a liberação do uso da substância pelo Estado. A advogada destacou, no entanto, que o tratamento, apesar de liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sai muito caro, porque é preciso importar o medicamento. Segundo Margarete, o custo varia entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil.

“Estamos lutando pela produção no Brasil do extrato de maconha, porque ele é absurdamente caro para importar. Nossa luta é pela regulamentação do cultivo no País."

Usuária brinca durante protesto em defesa da liberação da maconha em território brasileiro
Tomaz Silva/Agência Brasil
Usuária brinca durante protesto em defesa da liberação da maconha em território brasileiro

Segundo o major Dias, que comandou o trabalho da Polícia Militar (PM) no local, a concentração da 12ª edição da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro reuniu cerca de 150 pessoas na altura do Jardim de Alah, na pista da orla entre as praias do Leblon e de Ipanema. Quando os manifestantes começaram a caminhada, o major avaliou que já eram 350 pessoas. Pelos cálculos dos organizadores, houve um total de mil participantes.

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A Marcha da Maconha do Rio de Janeiro começou em 2002 e já foi alvo do judiciário fluminense, que classificou a manifestação como ato de apologia às drogas. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu derrubar a proibição do ato, considerando que eles se enquadram na liberdade de expressão e manifestação. "Ninguém mais pode interpretar que a Marcha da Maconha é um movimento de apologia ao crime", celebrou o advogado André Barros.

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