Racismo é causa do alto índice de mortes de jovens negros, dizem movimentos

Por Agência Câmara | - Atualizada às

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Movimentos sociais participaram de audiência pública na Câmara, da Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a violência contra jovens negros e pobres

Agência Câmara

Movimentos sociais afirmam que o alto índice de assassinatos de jovens negros no Brasil se deve ao racismo. Eles participaram de audiência pública na Câmara, da Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a violência contra jovens negros e pobres.

Durante o debate em Brasília, Geovan Bantu, representante do Fórum Nacional de Juventude Negra de Salvador, destacou que ele mesmo se encaixa no perfil de "suspeito padrão", ou seja, o negro entre 15 e 29 anos de idade, morador das periferias das cidades brasileiras.

Segundo Bantu, essa imagem do "suspeito padrão" está inserida na sociedade e suas instituições, principalmente as polícias, que veem esse jovem como um inimigo do Estado a ser eliminado.

Na segunda-feira (11), a CPI promoverá nova audiência pública, destta vez na Assembleia Legislativa do estado da Bahia, a partir das 9 horas.

CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres ouviu representantes de movimentos sociais
Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres ouviu representantes de movimentos sociais

Racismo institucional

Geovan Bantu ressaltou que essa discriminação explica as estatísticas, segundo as quais sete em cada 10 vítimas de assassinatos no Brasil são negras: "Isso está dentro de um processo mais amplo, de um processo que nossa sociedade está instituída, que é o processo do racismo institucional”.

“Nós não podemos, em momento algum, deixar de dizer que nós não abrimos mão de considerar que essa questão da violência do homicídio contra a população negra, do extermínio da juventude negra não esteja diretamente ligada ao racismo que nós vivemos no País”, acrescenta. “É o racismo que estrutura as relações dentro do Legislativo, dentro do Judiciário, dentro do sistema penitenciário e, de fato, desumaniza a população negra."

Maioridade penal

O representante do movimento baiano manifestou repúdio à proposta (PEC 171/93) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal. Bantu também cobrou providências das autoridades contra a banalização das mortes desses jovens.

"Essas mortes não têm valor, não comovem. Não chocam. O corpo de um jovem negro no chão é como se isso fosse normal. Da mesma forma que a gente acha natural um menino preto vendendo bala num sinal. A gente acha que aquele menino faz parte da paisagem, daquele cenário", critica.

Omissão do Estado

O rapper Neemias MC também participou do encontro. Abandonado aos 14 meses na rodoviária de Brasília pela mãe biológica, Neemias foi morador de rua e hoje é produtor e ativista social. Ele contou que chegou a cometer pequenos furtos para vencer a fome, foi preso e sofreu violência por parte da polícia.

Neemias atribui a situação vivenciada por ele e outros milhares de jovens negros à omissão do Estado e ao descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA 8.069/90). O rapper também criticou o tratamento dado aos jovens negros por setores da mídia.

"É essa a mídia sensacionalista que a gente quer? São programas como os do Datena, que a todo momento ridiculariza o nosso povo, que somos a causa da violência. Mas não fala das questões absurdas que são sofridas por essa juventude. Não fala que a juventude está, a todo momento, sendo exterminada pela polícia", ressaltou.

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