Com São Paulo na liderança, roubos de cargas aumentam 16% em 2014

Por Ana Flávia Oliveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Sudeste é responsável por 85,31% das ocorrências de todo Brasil; Rio de Janeiro e São Paulo respondem por 82%

Os roubos de carga no Brasil aumentaram 16% em 2014, na comparação com ano anterior. O levantamento é da Associação Nacional do Transporte de Cargas & Logística, a NTC). De acordo com os números, no ano passado, foram registrados 17.500 casos, contra 15.200 contabilizados em 2013.

A maior parte das ocorrências foi registrada no Sudeste, responsável por 85,31% dos casos. O Nordeste registrou 6,56% das ocorrências e o Sul, 4,87%. Centro-Oeste e Norte são responsáveis por 2,11% e 1,15% dos casos, respectivamente. 

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Segundo o levantamento, o Estado de São Paulo é o campeão no número de ocorrências e concentra quase metade (48,47%) dos roubos de cargas registrados no Brasil inteiro, com 8.510 casos em 2014 contra 7.959 no ano anterior (alta de 6,9%). O Estado do Rio de Janeiro está em segundo lugar, com 33,54% das ocorrências.

De acordo com o coronel Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança da NTC&logística, a maior densidade populacional e de empresas no Sudeste explica a concentração de roubos nesta região. "Essa concentração é histórica". 

Souza diz ainda que a alta nos números do País pode ser explicada pelo aumento dos casos registrados no Rio de Janeiro, que saltaram de 3.535 em 2013 para 5.889 no ano passado – alta de 66%.

“A presença policial nos morros, por conta das UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora], atrapalhou o mercado de drogas. Os marginais saíram em busca de novas formas de ganhos”, explica.

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Ainda de acordo com o levantamento da NTC, os roubos geraram prejuízo de R$ 1 bilhão ao setor no ano passado. Os produtos mais visados pelos criminosos são eletrônicos, cigarros, alimentícios, autopeças, farmacêuticos e químicos, que têm fácil saída na hora da venda ilegal.

O levantamento aponta ainda que 75% das ocorrências acontecem dentro da cidade e 25%, nas rodovias. As duas modalidades são praticadas por diferentes tipos de criminosos, explica Souza. 

“Os roubos de oportunidade são aqueles que acontecem dentro dos centros urbanos. Nestes casos, são roubados volumes menores, que estavam sendo levados aos pontos de consumo, como bares e lojas. Esse tipo de roubo acontece nos grandes centros urbanos devido a grande quantidade de veículos que abastecem o consumo das cidades”, afirma.

Os roubos em estradas ou centros de distribuições de grandes empresas, diz Souza, têm estratégia diferenciada, com ação de grandes quadrilhas, planejamento e uso de armamento pesado. 

Na madrugada do último sábado (2), um roubo deste tipo chamou a atenção e foi comparada a uma "ação cinematográfica). Um bando formado por cerca de 20 homens encapuzados rendeu cerca de 80 funcionários do centro de distribuição do Magazine Luiza, em Louveira, no interior de São Paulo, e roubou dez caminhões de produtos. Um dos caminhões com tablets e celulares roubados do Magazine Luíza foi recuperado no dia seguinte. Depois foram recuperados ainda mais de 24 mil itens roubados e dois suspeitos foram presos. 

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Assim, como no caso do Magazine Luíza, o levantamento mostra que as cargas são recuperadas em 78% das ações. 

Legislação

Souza, da NTC, defende mudanças na legislação para diminuir o número de ocorrências envolvendo cargas. Ele é a favor de um aumento de pena para o crime de roubo e receptação e a criminalização do uso ilícito dos jammers (aparelhos que bloqueiam os sinais de celulares e impedem o rastreamento do veículo). Além de cassação do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) para empresas envolvidas em receptação de mercadorias roubadas.

“O aumento de crimes no geral é resultado dessa legislação branda, que cria a sensação de impunidade”.  Atualmente, o roubo é punido com pena de quatro a dez anos e o de receptação, com um a quatro anos.

Outro lado

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou, por meio de nota, que está combatendo este tipo de crime com investigação e prisão de autores. A SSP informou ainda que a "Polícia Civil conta com um sistema de um sistema de georreferenciamento das áreas em que ocorrem os roubos, locais onde as cargas são recuperadas e banco digital de imagens de presos envolvidos neste tipo de crime".

Informou ainda que todo mapeamento é compartilhado com as polícias do Estado. A pasta informou ainda que conta com a Divisão de Investigações sobre Roubo e Furto de Veículos e Carga (Divecar), do Deic e que todas as delegacias do interior contam com Núcleos Especializados de combate a este tipo de crime.

A SSP ressaltou ainda a prisão de duas pessoas suspeitas de fazerem parte da quadrilha que roubo o centro de distribuição do Magazine Luiza e recuperação de parte dos itens roubados. A secretaria informou ainda que no mês de abril foram presos cinco homens e uma carga de celulares avaliada em R$ 5 milhões foi recuperada. 

Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que as quadrilhas que atuam no roubo de carga já foram identificadas e seis líderes foram presos. "A delegacia realiza ainda a Operação Ronda Qualificada, em locais de maior incidência do crime para coibir e coletar informações para os inquéritos em andamento", informou, em nota.

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