"Brasil vive epidemia de dengue", reconhece o ministro Chioro

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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São Paulo tem mais da metade dos casos do país. Dos 745,9 mil casos, 401 mil ocorreram no estado paulista

Agência Brasil

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, confirmou nesta segunda-feira (4), na capital paulista, que o país enfrenta uma epidemia de dengue. “Nós temos 745.957 casos até 18 de abril. Sabemos que esse número aumentará. O Brasil vive situação de epidemia concentrada em nove estados, que são os que têm mais de 300 casos por 100 mil habitantes”, declarou, após participar de encontro na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) com empresas de biotecnologia. Ele destacou que apenas três estados tiveram redução dos casos de dengue neste ano em relação a 2014: Espírito Santo, Distrito Federal e Amazonas.

Chioro destacou que houve elevação em praticamente todo o país, na comparação com 2014, sobretudo, porque ele foi um ano “excepcionalmente bom” em relação à dengue. “Tivemos redução do número de casos, de ocorrências graves, dos óbitos. De certa forma, em algumas localidades, o bom ano passado fez com que se desarmasse a mobilização da sociedade e de algumas ações”, avaliou. Em relação ao mesmo período de 2014, houve aumento de 234,5%. O ministro comparou a situação deste ano também com 2013, quando no mesmo período haviam sido registradas 1,4 milhão de casos da doença. “Nós ainda temos uma redução de 48% [sobre 2013]”, disse.

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Foco de dengue: vasos sanitários abandonados na zona oeste da capital. Foto: Fernanda Dias/Agência O GloboScott O'Neill libera no ambiente os primeiros mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. Foto: Eliminate Dengue ProgramAgentes de saúde mostram equipamentos que serão utilizados no combate à dengue no próximo verão. Foto: Bia Alves / Fotoarena / Agência O Globo Foram registrados 8 mil casos em 2015 - 5 mil a mais que no mesmo período do ano passado. Foto: Moises Zeferino/BBC BrasilO trabalho dos inspetores é cansativo. Foto: Moises Zeferino/BBC Brasilfernando haddad visita tendas combate à dengue. Foto: Fabio Arantes/Secom/Prefeitura de São PauloMosquito da dengue. Foto: Arquivo WikipédiaEntulho acumulado nos fundos do hospital podem abrigar focos do mosquito da dengue. Foto: Anderson Passos/iG São PauloForam confirmados 12.531 casos de dengue desde o início de 2014. . Foto: Agência BrasilAgentes combatem os criadouros do mosquito da dengue. Foto: Reprodução/BBC BrasilAgentes fazem fiscalização de possíveis focos da doença na capital paulista. Foto: Divulgação/Prefeitura de São PauloAgentes de saúde visitam casas na zona oeste de São Paulo, região mais afetadas por casos neste ano. Foto: Divulgação/Prefeitura de São PauloCombate à dengue em Jaguariúna, interior de São Paulo. Foto: Reprodução/RacAndradina declara estado de emergência por dengue. Foto: DivulgaçãoCientista trabalha com mosquitos geneticamente modificados  no laboratório da Oxitec . Foto: Getty ImagesVoluntário participa da campanha de combate à dengue no Morro do Salgueiro. Foto: Luiz Morier / Agência O Globo

São Paulo tem mais da metade dos casos do país. Dos 745,9 mil casos, 401 mil ocorreram no estado paulista, assim como as mortes (169 das 229 registradas no país). Em termos proporcionais, a pior situação é do Acre, com 1.064 casos por 100 mil habitantes, seguido por Goiás (968 por 100 mil/hab), São Paulo (911 por 100 mil/hab), Mato Grosso do Sul (462 por 100 mil/hab) e Tocantins (439 por 100 mil/hab). O ministro apontou que é fundamental olhar os estados, pois isso define o plano de contingência. “O fato de termos uma situação epidêmica nacionalmente, não muda em absolutamente nada o plano de contingência, a estratégia de controle, a gravidade”, reforçou.

O ministro explicou que a tendência é de diminuição da dengue, com a chegada do inverno. “Em alguns estados, isso já se observa. As temperaturas começam a cair e as medidas de controle estão funcionando”, apontou. Embora o frio ajude a diminuir o impacto da doença, as estatísticas ainda devem indicar crescimento. Isso ocorre porque as próximas divulgações incluirão o restante de abril e maio. Ele destaca que é preciso manter as ações de prevenção, mesmo com a diminuição dos casos. “É possível que em muitos estados se interrompa em definitivo, até o início do verão. Isso não significa que a dengue deixou de ser uma preocupação”, destacou.

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Entre os fatores que explicam a situação epidêmica neste ano, além do desarme pelos bons resultados do ano passado, Chioro disse que os eventos climáticos anteciparam o início da doença. “Tivemos um adiantamento que nós não sabemos se vai ter encerramento mais rápido do que nos anos anteriores. Vamos ter que esperar as próximas semanas”, apontou. Ele destacou ainda a crise hídrica, que favoreceu a armazenagem de água, sem a devida proteção. “No Nordeste, que tem intermitência no abastecimento, conseguíamos identificar maiores criadouros nos lugares onde as pessoas armazenavam água. No Sudeste, é um fenômeno novo. A gente percebeu aumento”, disse.

O ministro disse ainda que pediu prioridade à Agência Nacional de Vigilância Sanitária nos encaminhamentos relacionados à vacina contra a dengue. “Seria grande ganho para o Brasil e para mundo se chegássemos a uma vacina eficaz e segura. É a intenção do ministério, tanto que temos investimentos no Instituto Butantan, na Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz], no sentido de estabelecer parcerias para produção desta vacina, mas não podemos queimar etapas”, ponderou. Apesar de apostar na vacina como medida de prevenção, ele disse que considera um equívoco alimentar esperanças na população de que se terá uma vacina já nos próximos meses.

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