Juliana Isen ganhou destaque ao colocar dois adesivos nos mamilos durante os protestos do último dia 15

O iG publicou na semana passada uma reportagem na qual brincou com coisa séria. Depois do sucesso de minha participação do protesto contra o governo da presidente Dilma Rousseff na Avenida Paulista, no dia 15 de março, atendi prontamente ao convite da equipe do iG para uma entrevista . Como faz parte do meu jeito de ser, fui com simpatia ao estúdio, tirei fotos e conversei longamente com a repórter. Eu só não sabia que era uma pegadinha de mau gosto.

Pelo tratamento que recebi pessoalmente, imaginei que viria um texto porreta, como dizia minha avó. Mas o que vi na reportagem publicada foi um conjunto de ironias e rótulos, no mau sentido. Fui tratada como fútil e burra, rotulada como “neocelebridade” e “musa da direita”, além de apresentada como alguém que não sabe sua própria posição na política. Custo a crer que seja uma repetição da máxima eternizada pelo maestro soberano Tom Jobim, que disse: “No Brasil, sucesso é uma ofensa pessoal”.

Quando protestei na Paulista por um Brasil melhor, mais limpo, sem corrupção, sem Dilma e sem o PT, não imaginei a repercussão que teria. Como venho dizendo desde aquele dia, me deu aquele estalo na hora ao ver toda aquela multidão. Foi quando pensei que seria o momento e o jeito certos de mandar um recado que valesse a pena e fosse de fato ouvida. Tirei a blusa, coloquei os adesivos nos seios e gritei que queria liberdade e uma política honesta no país que amo.

Não premeditei nada. Não pensei na nudez, muito menos na fama. Fui verdadeira. Emotiva. Espontânea. E faria tudo de novo. O resto foi consequência.

A bem da verdade, até aí a matéria do iG foi fiel. Mas não ficou por aí, infelizmente. O texto abusou do rótulo ao tentar definir e me definir como de direita. Entendo a necessidade dos jornalistas de buscarem classificações e explicações para seus leitores, mas a sociedade nem sempre deseja isso.

Não gosto da esquerda, porque no Brasil esquerda é o PT, infelizmente. E PT é hoje sinônimo de corrupção, bandalheira e ineficiência. Quanto à direita, a esquerda (ou melhor, o PT) conseguiu disseminar a ideia de que toda direita é má, conservadora, ruim, algo a ser banido do país. A história vem mostrando, porém, qual lado merece ser banido da política brasileira.

Mas essa é a questão menos importante hoje. Pouco importa definir se sou musa da direita ou não, se é a direita que está protestando contra o PT e seu governo. Já estamos cansados de vermos petistas se passando por pobres e coitadinhos, enquanto os seus adversários é que são os ricos. Chega dessa lorota. Não é essa a realidade que vemos nos escândalos, com as quantias milionárias. Muito menos é o que estamos vendo nas ruas, onde vemos porteiros, zeladores, taxistas, gente de classe média e também gente rica se unindo contra o PT e contra Dilma.

Enquanto isso, de nada adianta a mídia buscar rótulos em quem grita contra o governo e contra os políticos, como se buscasse contradições naquilo que dizemos. Eu infelizmente fui vítima neste caso da reportagem do iG. Até a conhecida referência ao “Demo”, como brincadeira ao DEM, partido aliás do meu ex-marido, a reportagem tratou de ironizar. Como se eu não soubesse o nome do partido do homem que me fez me aproximar da política...De qualquer forma, a sociedade não quer e não precisa de rótulos. O que buscamos é uma sociedade livre de corrupção, uma política eficiente e honesta, governos que ofereçam serviços públicos de qualidade, com mais escolas e hospitais, menos roubalheira, menos criminalidade, mais oportunidades, e menos escândalos.

É por isso que o Brasil inteiro está insatisfeito e pedindo um grito de misericórdia. E é por essa razão que o movimento continua forte: um novo protesto está agendado para o próximo domingo, dia 12 de abril. Eu estarei lá novamente, protestando e lutando por um país melhor. Em nome do povo e contra os rótulos e as falsas ironias.


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