Terezinha Bottega é acusada por profissional do Mais Médicos de tê-la ofendido ao questionar os dreadlocks de seus cabelos

A secretária Municipal de Santa Helena (PR), Terezinha Madalena Bottega, foi afastada de suas funções após ter sido denunciada por racismo contra uma profissional do Mais Médicos. Assinada pelo prefeito da cidade, Jucerlei Sotoriva, a decisão foi publicada no Diário Oficial do Município.

Thatiane Santos exibe visual que afirma ter sido alvo de preconceito em seu trabalho
Arquivo pessoal
Thatiane Santos exibe visual que afirma ter sido alvo de preconceito em seu trabalho

O afastamento vem pouco menos de uma semana depois de a médica clínica-geral Thatiane Santos da Silva, 30 anos, ter denunciado sua superior por tê-la ofendido durante uma reunião de trabalho.

Segundo a profissional gaúcha, graduada em 2012 na Escuela Latinoamericana de Medicina (Elam), em Cuba, na tarde do último dia 19 de março Terezinha criticou de forma direta sua aparência física, mais especificamente seus longos cabelos com dreadlocks – os populares "rastas" –, tanto pela aparência quanto pelo cheiro, que segundo a secretária de Saúde, dele era exalado.

"Pretendo levar esse caso à Justiça e tomar todas as medidas possíveis ao meu alcance", disse ao iG Thatiane, médica clínica-geral em Santa Helena, pequeno município de 23 mil habitantes localizado a pouco mais de 600 quilômetros da capital paranaense, Curitiba. "Foi uma atitude racista vergonhosa. E achei que fosse realmente necessário expô-la a toda a população."

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Thatiane abriu Boletim de Ocorrência contra Terezinha na Polícia Civil e também a denunciou ao Ministério da Saúde, responsável pelo Mais Médicos. Segundo a profissional, a secretária justificou a crítica afirmando que a população da cidade, "formada principalmente por descendentes de germânicos", estranhava seus dreadlocks e que os pacientes estariam acostumados a um padrão visual entre os médicos.

Em resposta, a pasta enviou notificação à prefeitura de Santa Helena exigindo a apuração do caso, que repercutiu amplamente na imprensa e nas redes sociais, gerando uma rápida resposta do prefeito.

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No texto, Jucerlei Sotoriva afirma que foi formada uma Comissão Especial para apurar a denúncia contra Terezinha, substiuída temporariamente pela servidora pública Cleusinei Santos da Luz. O grupo tem prazo de 15 dias para apurar e apresentar uma conclusão para o caso. 

Além do risco de demissão, Terezinha poderá responder por crime de injúria racial, contravenção considerada menos grave do que o racismo, inafiançável, e que normalmente proporciona aos condenados o direito de responderem em liberdade.

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