Gays, BBB e Valesca Popozuda estão na mira de defensores de intervenção militar

Por Vitor Sorano - iG São Paulo* | - Atualizada às

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"Vá pedir amizade para o capeta, repórter safado!", diz líder de um dos maiores grupos da iniciativa, equivalente a um golpe

Os defensores da intervenção militar, parte da massa que tomou as ruas do País no último 15 de março, têm como alvo principal, segundo seus próprios brados, a corrupção. Olhando mais de perto para os grupos pró-intervenção - que nada mais é do que um golpe, segundo juristas -, outros "inimigos" aparecem: homossexuais, a imprensa, criminosos comuns e até o Big Brother Brasil (BBB) e a funkeira Valesca Popozuda.

Além do comunismo, frequentam a linha de tiro dos militaristas o "afrocomunismo", o Foro de São Paulo (grupo que reúne políticos de esquerda da América Latina), a presidente Dilma Rousseff (PT), os senadores Aécio Neves (PSDB) e José Serra (PSDB), os ex-presidentes Lula (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dentre outros.

"Não adianta gritar: “Fora PT”, “Fora Dilma”,. Tem que gritar: “Fora Foro de São Paulo; Fora PT; Fora Dilma; Fora Aécio; Fora FHC; Fora Serra; Fora Lula; Fora Unasul; Fora todos os partidos políticos", diz mensagem publicada nesta semana na linha do tempo do Intervenção Militar 2014.

Uma das maiores comunidades fechadas do movimento, o Intervenção tem 50 mil integrantes, e assim como as demais, é contra o impeachment de Dilma, já que a medida seria um farsa montada por PMDB, PSDB e PT. Também é contra a reforma política, considerada um golpe do PT. A reportagem procurou três de seus administradores, mas nenhum respondeu aos contatos.

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Além do antipartidarismo, o elogio à violência integra a linha do tempo do Intervenção. Nesta quinta-feira (19), um participante festejava as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) por, segundo uma reportagem, ser a polícia que mais matou nos dois primeiros meses de 2015 no Estado de São Paulo.

"Parabéns", diz a postagem. "Obrigado por honrar as pessoas de bem da verdadeira sociedade, limpando o lixo que alguns preferem como vida!!!".

Nesta semana, mensagens de apoio ao intervencionismo e de ataques a políticos dividiam a linha do tempo com um quiz. "Pergunta à ala masculina: dessas três mulé da política, [em] qual delas você teria coragem de dar uma jebada?", diz uma postagem de um integrante publicada nesta quarta-feira (18). O texto acompanha as fotos da senadora Gleisi Hofmman Hoffmann (PT-PR) e das deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS).

A postagem remete à afirmação do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), feita em dezembro passado, de que não estupraria Maria do Rosário porque ela "não merece". O pepista é um dos poucos políticos retratados sob uma ótica positiva, embora sua postura esteja sendo considerada dúbia demais pelo movimento.

Imagem divulgada no Intervencionistas Brasil, de Predezel
Reprodução/Facebook
Imagem divulgada no Intervencionistas Brasil, de Predezel

"Por que será que o Bolsonaro não diz uma 'palavra' em favor da intervenção militar (?)", questionou um integrante do Intervencionistas Brasil, que tem 8,6 mil participantes, na terça-feira (17).

O grupo é administrado por Rogério Prevedel. Em vídeo divulgado na página do Facebook nesta semana, o autoentitulado patriota militar da reserva não-remunerada convoca os participantes a enviar cartas aos comandantes regionais das Forças Armadas com um pedido de intervenção e a realizar um "pré-alistamento" via e-mail do grupo. A ideia é formar, segundo ele, "um grupamento de milhares e nossa tendênica é chegarmos a milhões de pessoas undas a um só ideal."

Imagem divulgada no grupo Intervenção Militar, do Facebook,
Reprodução/Facebook
Imagem divulgada no grupo Intervenção Militar, do Facebook,

Para que o objetivo seja atingido, recomenda outro integrante do Intervencionistas, é preciso mudar a "imagem de terror" que os "esquerdistas" criaram contra os militares. O argumento é ilustrado com uma foto de dois homens fardados, cacetetes em punho, perseguindo um civil.

"Bons tempos em que bandidos, terroristas e comunistas eram tratados como bandidos, terroristas e comunistas", diz a legenda.

Procurado pela reportagem, por meio de sua conta no Facebook, Rogério Prevedel mostrou-se indócil. "Vá pedir amizade para o capeta, repórter safado, comunista do inferno", escreveu. Antes, houve outra tentativa de aproximação com o administrador da comunidade intervencionista. "Não trato com comunistas, principalmente com os 'idiotas úteis' - são todos ratos, uma casta inferior", destilou.

Reprodução/Facebook
"No reino vermelho a inversão de valores impera", diz texto que acompanha imagem

Afinal, conforme outra participante do Intervencionistas publicou recentemente, "no reino vermelho, a inversão de valores impera". Prova disso são o BBB, considerado cultura, e Valesca Popozuda,  chamada de "pensadora contemporânea" numa prova escolar no ano passado. Ambos são alvo comuns das críticas postadas em outros grupos militaristas.

A "inversão de valores esquerdista" também é responsável pelo entendimento de que os gays são oprimidos, avalia essa participante do Intervencionistas, e a defesa do casamento homossexual, escreveu outra, é uma ferramenta para enfraquecer a família, com o objetivo de permitir ao do Foro de São Paulo implantar o comunismo no Brasil.

O iG procurou um segundo administrador do Intervencionistas. Adolf Menzel, que define o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) como um "bosta" e quem vota nele, "filho da puta", desejou apenas "boa sorte com suas mentiras de hoje" à reportagem.

No Movimento para Intervenção Militar (MIM) São Paulo, que tem 6,8 mil membros, a morte de um suposto criminoso enforcado em uma janela foi postada na quinta-feira (19), junto a uma imagem de Maria do Rosário, acusada de defender ladrões.

Veja imagens das manifestações do dia 15 de março:

Jovem posa em protesto contra Dilma Rousseff, neste domingo (15), em São Paulo. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestante exibe cartaz, durante ato contra governo Dilma. Foto: Orlando kissner/ Fotos PúblicasAlgumas mulheres se destacaram na manifestação em São Paulo pelo visual. Foto: Paulo Lopes/Futura PressNa onda do panelaço do domingo (8), manifestante foi para a Avenida Paulista neste dia 15 com panela de pressão. Foto: Uriel Punk/Futura PressA revista "Veja" também serviu de inspiração para um dos cartazes da manifestação deste domingo, dia 15. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressA tampa da caixa de pizza (uma alusão a impunidades?) virou cartaz para um dos manifestantes de São Paulo. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressMuitos manifestantes carregaram cartazes para a manifestação paulistana. Foto: Vilmar Bannach/Futura PressPelo menos 15 integrantes do grupo Carecas do Subúrbio foram presos na manifestação de São Paulo porque carregavam fogos e soco inglês (15/03/2015). Foto: Paulo Lopes/Futura PressVuvuzelas foram distribuídas pelos organizadores da manifestação em São Paulo. Foto: Alberto Wu/Futura PressManifestantes seguram cartaz durante ato neste domingo (15). Foto: Barbara Liborio/iGManifestantes ocupam prédio do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasEm Brasília, manifestantes penduram bonecos representando a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. Na placa no pescoço de um dos bonecos lê-se "Eu não sei de nada". Foto: AP Photo/Eraldo PeresEm Brasília, uma mulher pedala sua bicicleta de camiseta do Brasil e um cartaz com os dizeres "Fora Dilma, Impeachment já". Foto: AP Photo/Eraldo PeresMãe e filho participam de protesto vestido verde e amarelo em Brasília neste domingo dia 15 de março. Foto: AP Photo/Eraldo PeresEm Brasília, uma homem segura um cartaz em inglês durante o protesto. "Sem mais corrupção no Brasil", diz o cartaz, que sublinha as letras do PT, partido da presidente. Foto: AP Photo/Eraldo PeresNo Rio de Janeiro, manifestantes tomaram a praia de Copacabana para reclamar do governo federal. Foto: AP Photo/Felipe DanaCrianças pintam cartaz em manifestação em São Paulo, no domingo (15). Foto: Barbara Liborio/iGManifestantes levam cruz com nome de Dilma no protesto deste domingo (15), em São Paulo. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloAmbulantes aproveitam movimento para vender artigos verde amarelos. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloAmbulantes vendem artigos na avenida Paulista. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloManifestantes saindo do metrô. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloProtestantes vestidos com as cores da bandeira. Foto: Ana Flávia Oliveira/iG São PauloProtestantes escolheu o metrô como meio de locomoção. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloProtestantes pedem a saída da presidente Dilma Rousseff. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestação em São Paulo neste domingo (15). Foto: David Shalom/iG São Paulomanifestação. Foto: David Shalom/iG São PauloManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChistePolícia faz cordão de isolamento durante protestos na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestante ergue cartaz, durante protestos contra o governo Dilma, na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasManifestantes contra o governo Dilma se reúnem em frente ao Masp, em São Paulo. Foto: Ricardo ChisteManifestação contra o governo Dilma enche a Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma enche a Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Robson Fernandjes/ Fotos PúblicasMarcelo Madureira, ex-Casseta & Planeta, participa do protesto anti-Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestantes pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em Copacabana, Rio de Janeiro
. Foto: Tasso Marcelo/ Fotos PúblicasMarcelo Madureira, ex-Casseta & Planeta, participa do protesto anti-Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestantes pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em Copacabana, Rio de Janeiro
. Foto: Tasso Marcelo/ Fotos PúblicasManifestante ergue cartaz, durante protesto contra o governo Dilma, em Copacabana, Rio de Janeiro. Foto: Marcello Sá Barretto / AgNewsManifestante levou faixa com suástica desenhada em protesto no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Globo NewsAtivista José Júnior postou imagem da orla da Maceió (AL). Foto: Reprodução/Facebook José JúniorFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramFamosos vão para as ruas em manifestações pelo Brasil. Foto: Reprodução/InstagramManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestação contra o governo Dilma e corrupção na Petrobras, enche a praça da liberdade, em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Sant Anna/Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasManifestações nas ruas do Recife pedem impeachment da presidente Dilma Rousseff. Foto: Rodrigo Lôbo / Fotos PúblicasNo Recife, a manifestação do dia 15 não registrou incidentes. Foto:  Rodrigo Lôbo/ Fotos PúblicasManifestante engrossa pauta da manifestação no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução FacebookEm Salvador, manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma. Foto: João Alvarez/ Fotos PúblicasManifestantes pedem a saída da presidente Dilma no posto 5, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroManifestantes pedem a saída da presidente Dilma no posto 5, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroBelém (PA) também registrou manifestações em protesto contra a presidente Dilma. Foto: Igor Mota/Futura PressRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioEm Salvador, a concentração do protesto aconteceu no Farol da Barra. Foto: iG BahiaRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioRio de Janeiro também se mobilizou nesta manhã de domingo (15) para protestar contra o governo e cobrar o impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Nina Ramos/iG RioNo Rio, assim como em outras cidades onde ocorreu o protesto deste domingo (15), o amarelo predominou nas roupas dos manifestantes. Foto: Nina Ramos/iG RioManifestantes começam a se concentrar em Brasília neste domingo (15) para pedir afastamento da presidente Dilma. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESSManifestantes se concentram em Brasília a espera do protesto em defesa do afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo. Foto: CHARLES SHOLL/FUTURA PRESS

É do MIM também a crítica ao que é definido como "afrocomunismo", que estaria configurado numa suposta proposta do governo Dilma de confiscar parte dos rendimentos dos brancos que ganham mais de R$ 9 mil para destinar os recursos aos negros.

Um dos administradores do MIM, Welcio Matozo - que foi cordato com a reportagem - alega que nem tudo o que é postado na página é de responsabilidade do grupo, e nega racismo.

"Existe [é] o PT pregando diariamente o vitimismo. Veja, eles falaram que quem estava na manifestação era a elite branca", diz Matozo. "Outra data ouvimos o [ex-presidente] Lula falar que a 'presidanta' não é um nordestino ignorante. E mais de uma vez ouvimos o Lula falar que o nordestino é feio e pobre", argumenta.

O artigo 142 da Constituição, que autorizoria uma intervenção militar segundo os partidários da ideia, não tem nenhuma menção a essa hipótese, e subordina as Forças Armadas ao Presidente da República.

Qual a diferença, então, entre a intervenção e um golpe militar? É que a Pátria, hoje, com a participação do PT, já estaria ameaçada por forças externas, inclusive haitianas.

"Está tudo às claras. O PT não faz mais questão de esconder. Forças das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) treinando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) aqui dentro do Brasil. As fronteiras abertas e 20 mil haitianos dentro do Brasil. O [líder do MST, João Pedro] Stédile falando que vai mandar o exército dele pra cima do povo", enumera Matozo. "E vocês acham que intervenção constitucional é golpe?"

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