Candidaturas avulsas ameaçam quebrar a tradição da proporcionalidade e impor partidos com menor número de representantes em cargos altos da Mesa Diretora

Ainda sob reflexo da disputa acirrada para a presidência do Senado, no último domingo (1º), os senadores deixaram para quarta-feira (4) a eleição para Mesa Diretora. Os senadores escolherão dois vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes de secretários. Os eleitos se juntam ao presidente reeleito Renan Calheiros na condução da atividade política e legislativa da Casa.

Impasse em relação à Quarta-Secretaria, em disputa pelo PSD e o PR, causou o adiamento
Wilson Dias/Agência Brasil
Impasse em relação à Quarta-Secretaria, em disputa pelo PSD e o PR, causou o adiamento

Ao sair da reunião de líderes no gabinete da Presidência, o senador Blairo Maggi (PR-MT) informou que há um impasse em relação à Quarta-Secretaria, em disputa pelo PSD e o PR. "O PT e o PMDB deveriam abrir mão de uma vaga para termos os 12 partidos com representação na Mesa e eles não querem fazer isso", explicou o senador.

Historicamente, a eleição sempre aconteceu seguindo a regra da proporcionalidade, ou seja, os partidos escolhem os cargos que querem ocupar pela ordem de tamanho das bancadas.

Desta vez, no entanto, candidaturas avulsas estão sendo lançadas, ameaçando quebrar a tradição e impor partidos com menor número de senadores nos cargos mais altos da Mesa. Pela regra, o PMDB, por ter a maior bancada, tem direito a fazer a primeira e a terceira escolhas, tendo indicado Renan Calheiros (AL) para a presidência e Romero Jucá (RR) para a segunda vice-presidência. 

O PT, que tem a segunda maior bancada, terá direito a fazer a segunda escolha e indicará o senador Jorge Viana (AC) para a primeira vice-presidência. O PT tem direito também à quinta indicação, e escolheu Ângela Portela (RR) para a segunda secretária.

O primeiro secretário do Senado, responsável por questões mais ligadas à esfera administrativa da Casa, deverá ser o senador Paulo Bauer (SC), por indicação do PSDB, que tem a terceira maior bancada. Dentro do próprio PSDB, a senadora Lúcia Vânia (GO) quis disputar a indicação, mas foi convencida a voltar atrás e apoiar o colega.

Leia mais: 
Renan Calheiros é reeleito presidente do Senado Federal
Após reeleição de Renan, Aécio diz que Senado virou “puxadinho do Planalto”
Deputados e senadores tomam posse e mudam configuração do Congresso

Ainda seguindo o critério de proporcionalidade, o PDT fez a sexta escolha e indicou o senador Zezé Perrela (MG) para ocupar a terceira secretaria. Ao PSB coube fazer a última indicação, e o senador Antônio Carlos Valadares (SE) foi nomeado pelo partido para ocupar a quarta secretaria.

No entanto, alguns senadores de partidos que não tiveram espaço na Mesa ameaçam lançar candidaturas avulsas. “Nós estamos tendo um trabalho muito grande para inibir as candidaturas, para retirá-las”, disse o presidente Renan Calheiros.

Segundo o presidente da Casa, “houve uma pulverização de candidaturas para todos os cargos, estimulada pela quebra da proporcionalidade”. Renan defendeu que o critério da proporcionalidade seja respeitado e os senadores mantenham os indicados pelos partidos nos cargos. “O Parlamento caminha mais facilmente pelo entendimento, e para isso o único critério existente é o da proporcionalidade”, declarou.

A eleição para a Mesa Diretora tinha sido marcada, primeiramente, para as 10h desta terça-feira (3). Sem acordo, foi adiada para as 16h. Os líderes dos partidos se reuniram para tentar acordo, mas a eleição foi novamente adiada para quarta-feira (4) 


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.