Santa Casa acena com diálogo e sindicato recua

Por Anderson Passos - iG São Paulo | - Atualizada às

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Enfermeiros adiam decisão de ingressar com ação para garantir que entidade honre pagamentos de salários atrasados de novembro e de parte do 13º

O Sindicato dos Enfermeiros e o Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo adotaram cautela em relação ao aceno da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que prometeu em audiência na Superintendência Regional do Trabalho rever o plano de demissões e confirmou a venda de parte dos 700 imóveis da instituição.

Em assembleia realizada nesta quinta-feira (29), o Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo (Seesp) e os servidores decidiram por deixar em aberto a proposta de ingressar com uma ação contra a Santa Casa para reaver os atrasados trabalhistas. A instituição ainda não pagou os salários de novembro e pagou parte do 13º para os servidores que ganham até R$ 3 mil.

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Santa Casa de Misericórdia, com crise, mas tranquila
Maíra Teixeira/iG
Santa Casa de Misericórdia, com crise, mas tranquila


“Se nós entrássemos com a ação e a Santa Casa tivesse um financiamento liberado, a categoria corria o risco de não receber”, explicou a advogada do Sindicato dos Enfermeiros Gisele Costa.

Segundo ela, a Santa Casa explicou que a Caixa Econômica Federal exigiu novos documentos para aprovar um financiamento de R$ 44 milhões solicitado em dezembro do ano passado. A entidade afirmou já ter feito o envio da documentação pendente. O dinheiro, segundo os representantes da instituição, será usado para quitar as dívidas trabalhistas.

A Santa Casa e o sindicato acordaram ainda que no próximo dia 10 de fevereiro as partes farão nova uma reunião na Santa Casa.  As mesas de conciliação na DRT entre Santa Casa e sindicatos serão mantidas igualmente. A próxima está agendada para o dia 25 de fevereiro.

Voto de confiança

Já os médicos, que também vivem a mesma situação em relação a seus vencimentos em atraso, optaram por manter o canal de diálogo com a Superintendência.

“Eles [ Santa Casa] garantiram que todo o superávit de caixa será usado para a quitação de dívidas trabalhistas”, relatou o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Eder Gatti.

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Gatti considerou que a reunião na Delegacia Regional do Trabalho não apresentou fatos novos, já que a Santa Casa ainda não conseguiu êxito nos pedidos de financiamento para quitar suas dívidas.

“Eles [Santa Casa] garantiram que esse ano não vai mais haver atraso de salários. Eles têm nos passado todas as informações das mudanças administrativas, de como está a captação de recursos... Eles têm cumprido com o compromisso de transparência com os médicos e vamos manter esse voto de confiança”, confirmou Eder Gatti.

Na quarta (28), parte dos médicos da Santa Casa participaram de um protesto, lotando os corredores pedindo a substituição do provedor licenciado Kalil Rocha Abdalla.

Os médicos e a entidade voltam a se reunir no próximo dia 6 de fevereiro. Na mesma data, os profissionais de medicina devem realizar uma assembleia.

Provedoria

Na última quarta-feira (28), a Irmandade promoveu a primeira reunião ordinária com os irmãos mesários sob o comando provedor em exercício Ruy Altenfelder. Ali foi gestada a decisão de brecar o plano de demissões e a realização de um novo estudo sobre os cortes na folha.

Ao mesmo tempo ficou decidido que a Santa Casa vai vender todos os imóveis de seu patrimônio que estão desocupados. A instituição, no entanto, ainda faz estudos para saber o número exato de imóveis nessa situação bem como o valor estimado que pode ser arrecadado. A Santa Casa de São Paulo possui aproximadamente 700 imóveis. 

Santa Casa de Misericórdia, com crise, mas tranquila
Maíra Teixeira/iG
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