Pesquisa com 1.011 brasileiros mostra ainda que 92% dos entrevistados passaram a se sentir mais inseguros em casas noturnas depois do incêndio que matou 242 pessoas em 2012

Dois anos após a tragédia que deixou 242 mortos em uma casa noturna da cidade de Santa Maria, interior gaúcho, uma pesquisa mostra que quase metade dos brasileiros não saberia como agir diante de situação semelhante.

Fachada da Boate Kiss, onde acúmulo de erros resultou na tragédia que abalou toda uma cidade
Reprodução/Google Maps
Fachada da Boate Kiss, onde acúmulo de erros resultou na tragédia que abalou toda uma cidade

Divulgado nesta terça-feira (27), dia em que se completam dois anos do incêndio na Boate Kiss, o levantamento tem o objetivo de avaliar a percepção dos brasileiros em relação à segurança contra incêndios. Conduzida pela KCR Research, sob encomenda da empresa norte-americana Honeywell (multinacional que produz produtos e oferece serviços ligados a diversas áreas, inclusive segurança contra incêndios), a pesquisa ouviu 1.011 brasileiros, entre os dias 12 e 17 de dezembro, com idades entre 18 a 64 anos.

Os números mostram que, apesar de toda a repercussão da tragédia na casa noturna gaúcha, 49% dos entrevistados não saberiam como se comportar se estivessem em um incêndio. Número que casa com a quase totalidade dos pesquisados – 92% – que se sentem mais inseguros em casas noturnas desde o incidente em Santa Maria. 

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"Quando quase metade das pessoas afirma que não saberia encontrar uma saída de emergência em uma ocorrência percebemos o quão perigosa é essa questão no País", analisa César Miranda, gerente geral do Negócio Fire Safety América do Sul da Honeywell e diretor do Grupo Setorial de Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio da Abinee (Associação Brasileira da Industria Eletro Eletrônica). Ele cita uma notória mudança de comportamento, citada por 81% dos entrevistados, devido ao temor de se verem envolvidos em uma tragédia semelhante.

"Infelizmente, pela falta de confiança no poder público, na fiscalização e nos próprios proprietários dos lugares que frequentam, as pessoas parecem ter a tendência de se sentirem incomodadas quando vão a um lugar público. E acabam ficando em casa."

Veja fotos da tragédia que deixou 242 mortos dois anos atrás:

A pesquisa mostra que a desconfiança é realmente generalizada em todos os pontos relacionados ao tema. Para 72% dos entrevistados, por exemplo, a segurança contra incêndios é insuficiente em lugares públicos. Mais: 92% acham que o governo é o responsável pela segurança contra incêndios – por meio de fiscalização mais rígida – e 70% querem mais ações para reduzir riscos. 

Um curioso dado mostra como uma simples mudança poderia mudar alguns temores: 67% dos entrevistados disseram não ter participado de nenhum treinamento contra incêndios nas empresas onde trabalham nos últimos cinco anos. Prática que poderia mudar a insegurança demonstrada por eles. 

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"É importante que as empresas, as escolas e afins tenham um treinamento pelo menos a cada ano, uma simulação que leve as pessoas a entender como agir caso seja necessário", diz o norte-americano Benjamin Driggs, presidente da Honeywell no Brasil. "E também em edifícios residenciais. É preciso saber onde ficam situadas as sinalizações de emergência, ter a consciência de que a fumaça pode intoxicar. É um preparo a mais para o futuro e com certeza deve ser feito em todos os lugares", completa César Miranda.

Para o diretor da Abinee, existem três pilares para situações como a de Santa Maria: uma legislação atualizada – um projeto de lei sobre segurança aguarda aprovação do Congresso desde abril do ano passado –, normas técnicas rígidas de fiscalização para a prevenção e combate contra incêndios e educação/treinamento da sociedade para estar preparada quando necessário. 

"A tragédia da Kiss só aconteceu por um conjunto de falhas: falta de fiscalização adequada; vistoria realizada sem avaliar detalhes, como materiais dispostos no local, rotas de fuga, saídas de emergência... Um dos maiores problemas daquele incêndio foi que havia só uma porta para sair", ressalta Miranda. "É preciso ter mais alternativas. Se o fogo tivesse começado perto da entrada, todo mundo sem exceção morreria lá dentro."

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