Ato do MPL volta ao centro com bandeira nacional incendiada e quatro detidos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ao menos três pessoas ficaram feridas no protesto, inclusive um jornalista; quatro militantes foram detidos

Mais uma vez, a manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) na região central de São Paulo era pacífica, tranquila, sem ocorrências. E, mais uma vez, ela acabou terminando de forma antecipada, com bombas, prisões, corre-corre e feridos, na noite desta sexta-feira (23). 

Tropa de Choque da Polícia Militar cerca proximidades do Metrô República, nesta sexta-feira
Futura Press
Tropa de Choque da Polícia Militar cerca proximidades do Metrô República, nesta sexta-feira

Ao menos três pessoas ficaram feridas, incluindo um jornalista, do jornal O Estado de São Paulo, que levou um tiro de bala de borracha na coxa. Quatro militantes foram presos portando rojões, segundo Polícia Militar.

A confusão começou no momento em que os manifestantes passavam em frente ao Theatro Municipal, onde horas antes haviam se encontrado para iniciar o ato, a pacificidade ruiu. O som ambiente na região ficou marcado pelo barulho de bombas e pela gritaria.

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Subitamente, as cerca de mil pessoas, segundo a PM – 10 mil para o MPL –, que encaminhavam ao destino final do protesto, em frente à Prefeitura paulistana, dispersaram. A cantoria pela tarifa zero dos militantes emudeceu, as ruas esvaziaram. Houve confronto entre PMs e manifestantes. 

De acordo com a PM, a confusão começou por volta das 20h30, quando envolvidos no ato atiraram fogos de artifício contra agentes, na Rua Xavier de Toledo. A Tropa de Choque reagiu com bombas de efeito moral, bala de borracha e spray de pimenta. O MPL chamou a atitude de repressão violenta. 

Mesmo com a debandada do protesto, o corre-corre continuou nas proximidades do confronto. Um forte cheiro químico tomou o ar da Avenida Ipiranga, onde fica a estação República do metrô, aquela escolhida pelos presentes do ato para deixar a região central. Às 20h50, o MPL postou no Facebook que o protesto chegava ao fim.

Veja fotos dos protestos do MPL em 2015:

Pichação feita por manifestantes do MPL no Monumento às Bandeiras, símbolo paulistano, nesta quinta-feira (29). Foto: Leonardo Benassatto/Futura PressAgredido por black blocs, fotógrafo Gustavo Gerchmann teve seu equipamento destruído no final do protesto do MPL de quinta-feira, 29 de janeiro. Foto: Leonardo Benassatto/Futura PressMonumento às Bandeiras com pichações feitas por militantes do MPL ao final do protesto desta quinta-feira (29) em SP. Foto: Twitter/ReproduçãoManifestantes se erguem sobre Monumento às Bandeiras, um dos símbolos paulistanos, nesta quinta. Foto: Leonardo Benassatto/Futura PressSexto ato de 2015 do MPL atraiu cerca de mil pessoas, nesta quinta-feira (29); muitos estavam mascarados. Foto: Rafael Neddermeyer/fotos públicasImagem da assembleia que decidiu o trajeto do ato, nesta quinta-feira (29), no vão livre do Masp. Foto: Facebook/ReproduçãoCatraca que manifestantes levaram à residência do prefeito Haddad, pela qual passaram em frente. Foto: Facebook/ReproduçãoMPL exige o passe livre nos transportes públicos paulistas. Foto: Facebook/ReproduçãoTroféu-catraca no início do ato de quinta-feira (29). Foto: Facebook/ReproduçãoPoliciais reforçam segurança na Avenida Paulista, na quinta-feira (29). Foto: Rafael Neddermeyer/fotos públicasManifestantes no ato que passou pela Paulista, 23 de Maio e terminou em frente à Assembleia Legislativa paulista. Foto: Rafael Neddermeyer/fotos públicasPoliciais fazem cordão de isolamento na Paulista, na quinta-feira (29). Foto: Rafael Neddermeyer/fotos públicasIdoso se junta a jovens no protesto de quinta-feira (29) pela tarifa zero. Foto: Rafael Neddermeyer/fotos públicasA PM afirma que cerca de 40 manifestantes eram black blocs, com escudos e paus como armas. Foto: Rafael Neddermeyer/fotos públicasManifestantes no início do ato de terça-feira (27), o quinto do MPL em São Paulo em 2015. Foto: Raul Duarte/iG São Pauloato do mpl - 27 de janeiro. Foto: Fernando Zamora/Futura PressPoliciais militares fazem cordão de isolamento no Largo da Batata, nesta terça-feira (27). Foto: Fernando Zamora/Futura PressMais uma vez, protesto do MPL acabou em confronto, nesta sexta-feira, em São Paulo; ao menos três ficaram feridos e quatro foram presos. Foto: Futura PressMais uma vez, protesto do MPL acabou em confronto, nesta sexta-feira, em São Paulo; ao menos três ficaram feridos e quatro foram presos. Foto: Futura PressMais uma vez, protesto do MPL acabou em confronto, nesta sexta-feira, em São Paulo; ao menos três ficaram feridos e quatro foram presos. Foto: Futura PressMais uma vez, protesto do MPL acabou em confronto, nesta sexta-feira, em São Paulo; ao menos três ficaram feridos e quatro foram presos. Foto: Futura PressMais uma vez, protesto do MPL acabou em confronto, nesta sexta-feira, em São Paulo; ao menos três ficaram feridos e quatro foram presos. Foto: Futura PressManifestantes ao início do protesto, quando tudo parecia encaminhar para um ato pacífico, nesta sexta-feira (23). Foto: Facebook/ReproduçãoJornalista Edgar Maciel, de "O Estado de S. Paulo", foi acertado por um tiro de borracha disparado por um PM dirante manifestação do MPL (23/01/2015). Foto: Reprodução/FacebookManifestantes queimam catraca em protesto do Movimento Passe Livre, em São Paulo (23/01/2014). Foto: Facebook/ReproduçãoPoliciais avançam sobre manifestantes no ato desta sexta-feira, que terminou em quebra-quebra e prisões. Foto: Leonardo Benassatto/Futura PressManifestantes são detidos em manifestação do MPL - 9-1-2014. Foto: Fernando Zamora/Futura Presshomem é preso pela polícia em protesto do mpl - 9-1-2014. Foto: Leonardo Benassatto/Futura PressMilitante adepto da tática black bloc no protesto desta sexta-feira. Foto: Fernando Zamora/Futura PressBarricada feita na Rua Peixoto Gomide em frente ao Hospital 9 de Julho. Foto: Luísa Pécora/iGAgência do Banco do Brasil depredada por manifestantes, nesta sexta-feira. Foto: Vitor Sorano/iGAvenida Angélica bloqueada pela polícia nas proximidades da Avenida Paulista. Foto: Vitor Sorano/iGManifestante é atingida na perna por bala de borracha. Foto: Barbara Liborio/iGLixo incendiado no cruzamento da avenida Angélica com a rua Goiás. Foto: Vitor Sorano/iG São PauloLixo incendiado na esquina da avenida Angélica com a rua Goiás. Foto: Vitor Solano/iG São PauloTropa de choque na esquina da rua Haddock Lobo com a Avenida Paulista. Foto: Alex GomesCom faixas e cartazes, manifestantes protestam contra reajuste das tarifas de transporte público (09/01/2015). Foto: iG/Bárbara LibórioEm São Paulo, manifestantes são acompanhados de perto pela polícia e pedem que transporte público seja gratuito (09/01/2014). Foto: iG São PauloProtesto ficou maior quando grupo contra reajuste das tarifas públicas chegou a Rua da Consolação, região central de São Paulo (09/01/2015). Foto: iG/Bárbara LibórioEm São Paulo, grupo de manifestantes definiu trajeto do protesto com a Polícia Militar (09/01/2014). Foto: iG/Bárbara LibórioProtesto de São Paulo contra o aumento do preço das passagens do transporte público começou sem incidentes (09/01/2015). Foto: iG/Bárbara LibórioPor conta da manifestação, trânsito da Avenida São João, no centro da cidade, fica parado. Foto: Barbara Liborio/iGSegundo o major Larry de Almeida Saraiva, do 11º  batalhão, a negociação sobre o trajeto da manifestação pelo fim da cobrança de tarifa no transporte público foi tranquil. Foto: iG/Bárbara LibórioPolícia Militar de SP acompanha os protestos com a cavalaria nesta sexta-feira (9). Foto: Vitor Sorano/iGCavalaria da Polícia Militar de São Paulo se prepara para acompanhar manifestantes em protesto contra tarifa de ônibus (09/01/2015). Foto: Vitor Sorano/iG

Bandeira incendiada
Assim como em seus dois primeiros atos no ano, o protesto do MPL desta sexta foi marcado pelo clima de paz ao longo de quase toda a sua duração. Mas por muito pouco o ato não se encerrou ainda em seu início, quando ainda passava pela Câmara Municipal de São Paulo. 

O local foi escolhido como uma das paradas da manifestação com destino à Prefeitura, onde o MPL objetivava dar seu grito final da noite pelo recuo no aumento das tarifas de ônibus e metrô, que desde 6 janeiro passou de R$ 3,00 para R$ 3,50. Na Câmara, pretendiam protestar contra os vereadores paulistanos.

No entanto, um grupo de militantes resolveu pegar uma bandeira do Brasil para incendiá-la. E aí o tempo fechou. Com um efetivo de 1.100 PMs em um ato com aproximadamente mil participantes, segundo a própria corporação, policiais foram para cima dos militantes, gerando corre-corre no local.

Agentes da Tropa de Choque apontaram armas carregadas com bombas de efeito moral na direção dos presentes. A situação só não ficou mais tensa por controle dos próprios manifestantes, que censuraram a atitude dos responsáveis pela queima do maior símbolo brasileiro, e dos PMs, que não atiraram e resolveram negociar. 

Assim, o confronto acabou adiado – e o protesto durou um pouco mais. 

Edgar Maciel, de O Estado de S. Paulo, foi acertado por uma bala de borracha disparada por PM
Reprodução/Facebook
Edgar Maciel, de O Estado de S. Paulo, foi acertado por uma bala de borracha disparada por PM

Queima de catraca
O simbolismo da queima de uma catraca ainda na concentração do ato, em frente ao Theatro Municipal, serviu para mostrar claramente o objetivo único do protesto do Movimento Passe Livre (MPL) na cidade, o quarto de 2015 exigindo pela tarifa zero no transporte público. 

Foi o segundo ato promovido pelo grupo somente nesta semana, iniciada com manifestação realizada na zona leste paulistana, na terça-feira (23). Na ocasião, o grupo, com cerca de 500 pessoas, segundo a PM – 8 mil para o MPL –, se concentrou no Metrô Tatuapé, passou em frente ao Sindicato dos Metroviários para homenagear trabalhadores demitidos pelo governo do Estado e, por fim, caminhou cerca de 1,5 quilômetro pela Radial Leste até o Belém. No local, ocorreu uma pequena confusão, quando militantes tentaram promover um "catracaço" entre populares.

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Para evitar problemas, PMs acompanharam toda a passeata do início até o destino principal, em frente à Prefeitura. Com cordões de isolamento, batalhões da Tropa de Choque impediam manifestantes de sair do trajeto combinado. Todas as vias pelas quais o protesto passou eram fechadas, afastando desta forma contratempos também com motoristas e pedestres. 

Mais uma vez, o MPL exige a redução do preço da tarifa de ônibus e metrô em São Paulo, que foi de R$ 3,00 para R$ 3,50 no início do mês. Nesta sexta, no entanto, o ato foi convocado nacionalmente, sendo realizado em cidades como Rio de Janeiro, Joinville (PR) e Florianópolis (SC).  

“Esse aumento para R$3,50 soa mais absurdo quando constatamos que uma auditoria acaba de provar o que todo mundo já sabia: que os empresários do transporte lucram muito acima da média para o setor e desviaram milhões", disse o movimento em nota divulgada antes do ato. "Reduzir de fato seu lucro exorbitante e cobrar o dinheiro roubado seria suficiente para manter o preço da tarifa ou até mesmo reduzi-la.”

Os manifestantes reuniram-se em frente ao Theatro Municipal, próximo ao Viaduto do Chá, e saíram em passeata às 18h25 com destino à Prefeitura. Após atingir o destino, o intuito do MPL era passar pela Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, pela Câmara Municipal e, por fim, pela Praça da República, onde fica uma das estações de metrô mais movimentadas da capital. 

Com concentração no Largo da Batata, a próxima manifestação do MPL em São Paulo será na próxima terça-feira (23).

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