De Buschetta a Abadía: delação já ajudou a prender criminosos no Brasil

Por Vasconcelo Quadros , iG São Paulo |

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Buschetta foi preso em São Paulo no início dos anos 80 e ajudou a levar para a cadeia dezenas de criminosos na Itália

Em países com sistema jurídico eficaz, a delação premiada é uma instituição e arma poderosa para esclarecer casos mais intrincados, como o terrorismo, o tráfico de drogas e a corrupção, crimes que exigem planejamento e sutileza. O Brasil entra nesse sistema com décadas de atraso e depois se ver obrigado a entregar para a Justiça de outros países prisioneiros que aqui não encontraram compensação legal para delatar.

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Foi o caso, por exemplo, do mafioso Tommaso Buschetta, preso por tráfico em São Paulo no início dos anos de 1980 e deportado para os Estados Unidos, onde um acordo costurado pela magistratura da Itália levaria para a cadeia dezenas de criminosos na maior investida contra a máfia.

A investigação desembocaria, já no início da década seguinte, na Operação Mãos Limpas, que, semelhante ao caso Petrobras, envolvia os partidos políticos como beneficiários de esquemas de suborno praticado por um cartel de empreiteiras com interesses no governo italiano.

Traficante Juan Carlos Ramirez durante prisão em São Paulo
Evelson de Freitas/AE

Outro grande criminoso estrangeiro preso no Brasil, o traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, também foi deportado para os Estados Unidos. Lá, ele fez acordo de delação que ajudou a Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidroga dos Estados Unidos, a provocar pesadas baixas nos cartéis colombianos e a apreender dezenas de toneladas de cocaína.

Abadía foi preso em São Paulo em 2007 e estava de posse de uma fortuna estimada em mais de R$ 100 milhões. Era acusado também de participação em 300 assassinatos, 15 deles nos EUA.

No Brasil, o primeiro grande caso de delação na área de corrupção foi protagonizado pelo doleiro Alberto Youssef há dez anos, no Paraná, durante as investigações do escândalo de desvios no Banestado. O contrato serviu como modelo para a delação proposta pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e um novo acordo beneficiando Youssef, homologado e divulgado nesta quarta-feira pelo mesmo juiz do caso Banestado, Sergio Moro.

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