Bombas, ferimentos e detenções marcam protesto do MPL pela tarifa zero

Por Bárbara Libório , iG São Paulo* | - Atualizada às

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Manifestantes adeptos da tática black bloc se infiltraram entre os militantes pouco antes da chegada do ato à Prefeitura de SP

Tropa de Choque da Polícia Militar faz barreira para impedir passagem de militantes, nesta sexta
PM-SP/Twitter
Tropa de Choque da Polícia Militar faz barreira para impedir passagem de militantes, nesta sexta

Assim como na semana passada, tudo começou de forma tranquila. Milhares de manifestantes contra o aumento da tarifa de transporte público se reuniram nas ruas da capital paulista com o objetivo de protestar contra os governos municipal e estadual. Desta vez, o ponto de encontro foi a Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, de onde seguiriam para a sede da Prefeitura paulistana. Mas, por volta das 19h30 desta sexta-feira (16), as coisas começaram a esquentar. 

Antes em clima de passeata da paz, com militantes tirando selfies e caminhando tranquilamente, o protesto rapidamente ganhou tensão. Jovens mascarados, adeptos da tática black bloc, subitamente começaram a surgir em meio aos manifestantes, levando a um empurra-empurra e à expectativa de um novo conflito com os policiais militares.

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A reportagem do iG presenciou o momento em que manifestantes com camisetas cobrindo o rosto surgiram na Rua Consolação, próximo à Igreja da Consolação, vindo de vias alternativas. Os cordões de isolamento feitos por homens da Tropa de Choque da PM foram furados. O MPL afirma que, naquele momento, ao menos uma pessoa foi detida, com pedras na mochila. A Polícia confirmou cinco detenções, todas por desacato.

Pouco depois, às 20h30, começou a correria no Viaduto do Chá, quando os militantes chegavam à porta da Prefeitura. Bombas de efeito moral foram atiradas pelos policiais contra os manifestantes, que somavam 2 mil, segundo a PM. Devido ao quebra-quebra do último protesto, na semana passada, o efetivo da corporação foi aumentado em cem agentes – 900 contra 800 da última sexta. 

Com a confusão, o protesto se dissipou. Grupos isolados eram vistos na Rua Libero Badaró; ao lado da estação República do Metrô; e em frente à Prefeitura. Jornalistas ajudaram a socorrer uma menina ferida, mas, ao se aproximarem dos PMs, os militares reagiram jogando spray de pimenta em todos. Pouco depois, a reportagem presenciou outra jovem ferida, atingida na perna por uma bala de borracha.

Catraca sendo queimada pelo MPL em frente ao Terminal Parque Dom Pedro, nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, em São Paulo. Foto: Fernando Zamora/Futura PressPoliciais fazem cordão de isolamento em frente à Prefeitura paulistana, no processo do MPL desta sexta-feira, 6 de fevereiro. Foto: Fernando Zamora/Futura PressManifestantes do Movimento Passe Livre em frente à sede da Prefeitura, nesta sexta-feira, 6 de fevereiro; foi o sétimo do grupo em 2015. Foto: Facebook/ReproduçãoOrelhão depredado no segundo protesto do MPL de 2014, nesta sexta-feira (16), na região central de São Paulo . Foto: PM-SP/TwitterPM ao lado de viatura depredada, segundo a corporação, por militantes com fogos de artifício. Foto: PM-SP/TwitterMovimentação de militantes no protesto desta sexta-feira. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloManifestantes fazem graça enquanto protesto seguia pacífico, no início da noite. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloProjeção pela tarifa zero na Prefeitura: foi lá que a confusão realmente estourou. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloProtesto MPL. Foto: Bárbara Libório/iG São PauloTropa de Choque se posiciona para impedir passagem de manifestantes. Foto: PM-SP/TwitterAgência da Caixa Econômica Federal depredada. Foto: PM-SP/TwitterAgência do Banco do Brasil depredada. Foto: PM-SP/TwitterMulher coloca pano no rosto para evitar bomba de gás de pimenta, nesta sexta-feira (16). Foto: Futura PressManifestantes se preparam para possível repressão policial. Foto: Futura PressFuncionários colocam tapumes nos vidros de agência da Caixa, na região central de São Paulo para prevenir possíveis danos com a passagem dos manifestantes do Movimento Pa. Foto: Futura PressProtestos artísticos nesta sexta-feira (16). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloGrupo faz performance com bexigas de água aos gritos de "olha a água suja do Alckmin" e "olha o volume vivo". Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloCordão que antecede faixa da manifestação tem mascarados. Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloManifestantes se preparam contro o spray de pimenta. Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloPolícia Militar tenta evitar que manifestantes entrem na Avenida Paulista. Foto: Futura PressO trajeto planejado para essa manifestação é começar na Consolação, seguir para a Prefeitura e depois para a secretaria de transportes. Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloA esquina da Av. Paulista com a Consolação é um ponto tradicional de protestos em São Paulo, como nesta sexta-feira (16). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloO aumento das tarifas foi o estopim para as manifestações de junho de 2013 que aconteceram em todo o país. Foto: Futura PressO MPL, organizador do movimento, declarou que pretende ampliar as manifestações para a periferia da cidade (16). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloPolícia se prepara para os protestos (16). Semana passada, sexta-feira (9), a repressão foi intensa quando os manifestantes tentaram entrar na Av. Paulista. Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloAto reúne estudantes, sindicato dos metroviários e de organizações de outros setores, como professores e bancários, e os organizadores do MPL. Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloMovimento se concentra antes de começar a manifestação. Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloManifestantes começam a se reunir nesta sexta-feira (16). Foto: Bárbara Libório/ iG São PauloManifestantes no segundo ato do MPL contra o aumento da tarifa do transporte público. Foto: Barbara Liborio/iG

De acordo com a PM, militantes usaram fogos de artifício para atacar agentes e viaturas. Vidros de veículos foram quebrados, orelhões, completamente destruídos, atirados ao chão. Agências da Caixa Econômica Federal, localizadas na Rua Xavier de Toledo e na Libero Badaró, acabaram depredadas. O mesmo ocorreu em uma agência do Banco do Brasil e em outra do City Bank. Black blocs atacaram PMs com garrafas de cervela ao lado do Terminal Bandeira e do Metrô Anhangabaú, de acordo com a corporação.

Assim como na semana passada, após o auge da confusão, o protesto acabou. Foi o que confirmou ao iG Heudes Cássio, um dos porta-vozes do MPL. "A PM veio para cima para terminar com o ato e o fizeram", disse ele, às 20h50.

A tensão, no entanto, permanecia quase meia hora depois. Adeptos da tática black bloc seguiam presentes no Vale do Anhangabaú e no entorno da Prefeitura. A movimentação de policiais era incessante por volta das 21h15, quando militantes, concentrados em frente ao Theatro Municipal, foram atacados com bombas de efeito moral. 

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MPL
O ato desta sexta-feira veio apenas uma semana depois do primeiro protesto do MPL em 2015, também encerrado em confrontos, detenções, feridos e detidos. Protagonista das manifestações de 2013, o grupo tem como objetivo a revogação do aumento da tarifa de transporte público em São Paulo, de R$ 3,00 para R$ 3,50, em vigor desde o último dia 6 de janeiro.

A concentração do grupo começou por volta das 17h, mas somente pouco antes das 19h os manifestantes começaram a passeata, em direção à Prefeitura e, posteriormente, à Secretaria Municipal de Transportes. Além do MPL, militantes de partidos políticos, sindicatos e outras organizações estiveram no protesto.

Antes mesmo do início da caminhada, Matheus Preis, integrante do MPL destacado para conversar com a PM, já se mostrava pessimista: "Pelo posicionamento da polícia, parece que vai ser complicado. Tem um efetivo bem maior do que o da última sexta".

Agência do Banco do Brasil depredada: foram ao menos quatro casos do tipo nesta sexta
PM-SP/Twitter
Agência do Banco do Brasil depredada: foram ao menos quatro casos do tipo nesta sexta

Marcela Fugato, coordenadora da rede de educação Emancipa, afirmou que a intenção do ato era simplesmente de impedir o aumento da tarifa. "Mesmo o passe livre estudantil é uma boa iniciativa, mas não contempla alunos de cursinhos, por exemplo, e tem uma regulamentação incompleta, já que só contempla idas à escola e não outras atividades", disse ela.

O sindicato dos metroviários também se fez presente. "Estamos aqui levantando a bandeira contra a tarifa. O governo estadual e a prefeitura Haddad erraram em aumentar. Lutamos para que não tenha o aumento e se faça um projeto de tarifa zero. Também trazemos a demandas de readmissão dos 38 metroviários demitidos na greve de 2014", explicou Altino de Melo, presidente do sindicato dos metroviários, antes da passeata.

Bandeiras da Anel, do Juntos, do Partido Operário, do Território Livre, entre outras, também marcaram o cenário.

* Com colaboração de Anderson Passos

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