No cargo desde segunda-feira, Jerson Kelman admitiu que a redução da pressão na distribuição de água será intensificada

Medida praticada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) desde 1997, a redução da pressão na distribuição de água na capital paulista deve ser intensificada em 2015. Foi o que afirmou o novo diretor-presidente da empresa, Jerson Kelman, em entrevista coletiva realizada na sede da companhia, no final da tarde desta quarta-feira (14), na zona sul da capital paulista.

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, durante sua primeira entrevista coletiva, nesta quarta
David Shalom/iG São Paulo
O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, durante sua primeira entrevista coletiva, nesta quarta

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A interpretação do discurso é tão simples quanto aparenta. A redução da pressão, aplicada para diminuir perdas nos canos que levam a água a residências, indústrias e estabelecimentos comerciais, é aquela que tem feito bairros em regiões mais altas da cidade a ficarem sem o recurso com grande frequência nos últimos meses.

Na prática, aumentar o intervalo na redução da pressão, conforme anunciado pelo presidente da empresa, significa mais tempo sem água para uma quantidade ainda maior de pessoas vivendo sob esse regime – atualmente calculado em 800 mil pela Sabesp. 

"Ainda estamos no período de chuvas, então temos de torcer por mudanças. Mas o cenário é ruim e deve ficar ainda pior em 2015 do que em 2014 se permanecermos nesta situação", disse Kelman na coletiva que, ao menos inicialmente, mostrou um posicionamento mais transparente da nova gestão em relação à anterior, comandada por Dilma Penna e marcada por contradições. Kelman assumiu o cargo na segunda-feira (12).

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"O objetivo da redução foi sempre o de diminuir os vazamentos. E, claro, neste cenário ruim, podemos aprofundar isso ainda mais."

A Sabesp calcula em 8 m³/s a economia de água com a redução de pressão – mais do que os 5 m³/s economizados com os planos de bônus, os descontos na conta para quem economiza o recurso. De acordo com a empresa, a zona norte é o bairro mais afetado pela crise, além de regiões altas, como a Vila Madalena e Pompeia.

"É complicado, porque São Paulo é um mar de morros. Temos de manter a água lá em cima, por exemplo, na Avenida Paulista, e em baixo, na Vila Mariana. Só essa é uma ladeira de 250 metros e às vezes a pressão baixa não dá conta", explicou o diretor metropolitano da empresa, Paulo Massato Yoshimoto. "Parafraseando Mike Tyson, de certa maneira essa situação atual é um murro na cara da Sabesp", completou Kelman.

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Sobretaxa
Barrada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo na terça-feira (13), a sobretaxa para os "gastões" de água na capital paulista será aplicada de uma forma ou de outra, de acordo com Kelman. O governo do Estado já anunciou que entrará com recurso contra a decisão e admitiu, pela primeira vez durante a crise atual, existir racionamento na cidade.

"Quando a Agência Nacional de Águas (ANA) determina que tem de reduzir a vazão do Cantareira de 33 m3/s para 17 m3/s, é óbvio que já está existe a restrição", disse Geraldo Alckmin a jornalistas pela manhã.

Kelman, que enfatizou que a capital só estaria sob racionamento se toda a população estivesse sem água, fez coro ao discurso. "A suspensão da sobretaxa foi pelo fato de a magistrada ter entendido que deveria haver uma formalidade para admitir a escassez e se implementar a sobretaxa quando impôs a diminuição da vazão do Sistema Cantareira", ressaltou ele.

"Mas é estranho, porque o governo não enfrentou esse problema quando começou a aplicar os bônus para quem economizasse. A sobretaxa é um recurso urgente e essencial, até porque a água que está sendo desperdiçada atualmente poderia estar abastecendo 800 mil pessoas na capital."

Aliado à sobretaxa, a Sabesp também estuda uma aliança com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para investigar e punir pessoas que furtam água e alteram registros de entrada do recurso em bairros e residências. "Queremos e iremos reprimir a fundo as atividades ilegais. A água é da sociedade", concluiu Kelman.

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