Acidentes aéreos no Brasil caem 15% em 2014

Por Amanda Campos - iG São Paulo |

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País registrou 136 ocorrências em 2014; em 2013, foram 159. No mundo, número de acidentes também caiu, mas o de mortes chegou a 1320 – foi o ano mais mortal da década

O número de acidentes aéreos no Brasil caiu 14,5% em 2014, se comparado a 2013, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) compilados com exclusividade para o iG. No ano passado, o País registrou 136 ocorrências. Em 2013, foram 159.

O número de mortos nesses acidentes também caiu: foram 27 no ano passado contra 29 em 2013. O índice é o menor em quatro anos, de acordo com o órgão.

Buscas por corpos e caixa-preta do avião da AirAsia são dificultadas pelo tempo (03/01)
AP
Buscas por corpos e caixa-preta do avião da AirAsia são dificultadas pelo tempo (03/01)



"Houve uma média de 2,3 fatalidades para cada uma das 27 ocorrências. Esse número é quase todo de acidentes que acontecerem com aeronaves menores, com capacidade para poucos passageiros. Em mais de 35% das ocorrências, estavam a bordo somente pilotos", detalha Raquel de Almeida Iber, gerente de pesquisas e análise de tendências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

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Em relação às causas, a especialista explica que normalmente há mais de um fator que contribui para as ocorrências. "Nos últimos dez anos, por exemplo, cerca de 15% dos acidentes tiveram como principal causa o julgamento de pilotagem". O termo se refere a decisões tomadas pelo piloto.

A redução de acidentes ocorre em meio a um cenário onde o número de aeronaves em movimento só aumenta. Em 2014, o setor cresceu 5,2%, indicou o Decolagem Certa (DCERTA), sistema que acompanha e verificação a regularidade de certificados e licenças de aeronaves. 

O Brasil também se manteve abaixo da média em número de acidentes fatais na aviação regular em comparação com outros países. Foram 0,19 por um milhão de decolagens em 2014, enquanto a mesma média mundial foi de 0,39.

Ano trágico

A queda do voo 8501 da AirAsia, que seguia da Indonésia para Cingapura em dezembro de 2014, fechou um ano trágico para a aviação mundial. Mas será que esse foi o pior ano da história da aviação recente? Sim e não. Depende do ponto de vista.

Em termos de acidentes, 2014 registrou o número mais baixo dos últimos 80 anos, de acordo com a Aircraft Accidents Archives, cuja sede fica em Genebra. Com o desaparecimento do AirAsia, foram 111. A última vez que o mundo teve 111 acidentes foi em 1927.

Em relação às mortes, porém, os números pintam um quadro mais sombrio. Depois da tragédia com o AirAsia, o ano foi considerado o mais mortal da última década, com 1.320 mortes.

Veja os maiores desastres aéreos do mundo:

Varig 967: o avião desapareceu no Pacífico cerca de 20 minutos após decolar do Japão rumo ao Brasil. Destroços jamais foram achados. Foto: Reprodução/YoutubeMalaysia Airlines: avião desapareceu no dia 8 com 239 pessoas a bordo para a China. Ainda não há dados concretos sobre sua localização. Foto: APMalaysia Airlines: parentes dos passageiros chineses desaparecidos choram após pedir informações sobre o sumiço da aeronave. Foto: APHelios Airways: voo 522 ia do Chipre à Grécia e caiu. Mas, segundo investigação, os 117 passageiros morreram sufocados horas antes da queda. Foto: Reprodução/YoutubeHelios Airways: investigações sobre o voo, que ia do Chipre à Grecia, afirmam que pilotos não conseguiram pressurizar a cabine. Foto: Reprodução/YoutubeSteve Fosset: americano sumiu com seu monomotor ao sobrevoar o deserto de Nevada em 2007. Destroços foram encontrados um ano depois. Foto: Getty ImagesSteve Fosset: destroços do monomotor que o aventureiro americano pilotava quando desapareceu sobre o deserto de Nevada, EUA, em 2007. Foto: Getty ImagesTrans World Airlines: voo 800 dos EUA explodiu ao decolar e as 230 pessoas a bordo morreram. Investigação aponta curto-circuito 'suspeito'. Foto: Wikimedia CommonsEgypt Air: voo 990 ia dos EUA ao Egito e caiu no Atlântico em 1999, deixando 217 mortos. EUA dizem que copiloto derrubou avião de propósito. Foto: Wikimedia CommonsB47: aeronave com material para armas nucleares sumiu no Mediterrâneo em 1956. Nem avião ou seus três tripulantes foram encontrados. Foto: Wikimedia CommonsAir France: avião caiu no Atlântico em 2009 e as caixas-pretas foram encontradas 2 anos depois. As 228 pessoas a bordo morreram. Foto: Wikimedia CommonsAer Lingus: avião irlandês sumiu em 1968 após 'algo incomum' atingir a aeronave e matar os 61 a bordo. Foto: Wikimedia CommonsTorpedeiros: na 2ª Guerra Mundial, Marinha dos EUA enviou 5 aviões com 14 tripulantes ao Triângulo das Bermudas. Eles nunca mais voltaram. Foto: Wikimedia CommonsPan Am: em 1957, voo 7 sumiu entre a Califórnia e o Havaí e foi encontrado após 5 dias. Autópsias indicaram que pessoas a bordo morreram intoxicadas. Foto: Reprodução/YoutubeVoo 571: avião uruguaio caiu nos Andes em 1972 e teve 19 sobreviventes, que recorreram ao canibalismo até ser resgatados dois meses depois. Foto: Reprodução/YoutubeStar Dust: em 1947, avião da British Avro Lancastrian caiu nos Andes da Argentina rumo ao Chile. Destroços foram descobertos 50 anos após a queda. Foto: Reprodução/YoutubeLady Be Good: avião de bombardeio saiu da Itália em 1943 e nunca mais voltou à base na Líbia. Soube-se, 15 anos depois, que sua rota foi alterada. Foto: Reprodução/YoutubeAmelia Earhart: 1ª mulher a pilotar avião que cruzou o Atlântico, desapareceu em 1937 no Pacífico e foi declarada morta 2 anos depois. Foto: © APTiger Line 739: em 1962, o voo saiu da ilha de Guam, EUA, com 90 a bordo rumo às Filipinas e nunca mais foi encontrado. Foto: Reprodução/YoutubeVittorio Missoni: estilista italiano e sua família morreram a bordo de um avião venezuelano. Eles só foram encontrados 6 meses após o acidente. Foto: Getty Images






"Se você considerar números absolutos de acidentes de aeronaves, voar hoje é mais seguro", disse Kane Ray, analista do Escritório instituto Bureau Internacional de Aviação (BAAA, na sigla em inglês), um grupo de consultoria de aviação global, à CNN.

"No entanto, há mais aviões no céu, então naturalmente o número total [de acidentes] pode ser parecido com o de décadas anteriores. Mas em algumas categorias, os desastres são mais altos", continuou Ray, segundo a CNN.

Os acidentes fatais de 2014 também põem fim a um crescente registro de melhoria na segurança da aviação global. "A cada dez anos ou mais, temos um ano que é menos seguro do que outros. Infelizmente, 2014 foi um deles", disse Ronan Hubert do BAAA à CNN. Em 2013, ano mais seguro desde 1945, foram 265 mortes, de acordo com a Aviation Safety Network.

Ásia

A Ásia teve um ano particularmente brutal. Até março de 2014, por exemplo, a Malaysia Airlines apresentava um excelente recorde de segurança. Mas com o desaparecimento do voo MH370, que seguia de Kuala Lampur, Indonésia, a Pequim, China, com 239 pessoas a bordo, tudo mudou. Autoridades acreditam que a aeronave caiu no Oceano Índico. Já faz quase um ano e nada foi encontrado. Em julho, o voo 17 da mesma companhia foi derrubado no leste da Ucrânia matando todas as 298 pessoas a bordo.

"Este é o meu pior pesadelo", twittou o CEO da AirAsia, Tony Fernandes, enquanto o voo QZ8501 da AirAsia era procurado.

Contraste

Quando desastres aéreos acontecem, eles fazem notícia. Mas, no geral, acidentes em rodovias matam mais do que no ar. Há cerca de 1,24 milhões de mortes todos os anos nas estradas de todo o mundo, apontou a Organização Mundial de Saúde em 2013. Em contrapartida, o ano mais mortífero da aviação teve 3.346 mortes, disse o BAAA. Isso foi em 1972.

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