Com celular, médica faz cobertura "independente" de direita do protesto em SP

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Assim como ativistas simpáticos a manifestantes, radiologista usa smartphone para transmitir ato, mas com viés conservador

Fabiana: 'povo tem de saber os dois lados'
Vitor Sorano/iG - 9.1.15
Fabiana: 'povo tem de saber os dois lados'

Fabiana Medeiros chegou às manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2014 com 300 seguidores no Twitter e saiu, conta, com 1.700. Nesta sexta-feira (9), funcionou para eles como o olho conservador sobre o primeiro protesto contra a alta das tarifas do transporte público em São Paulo em 2015.

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Assim como inúmeros ativistas críticos à cobertura da imprensa tradicional que  tradicionalmente compõem o rol de personagens desses atos, Fabiana decidiu sacar o celular (de capa de Minnie) e foi para a rua dar sua versão dos fatos.

"É importante para o povo saber os dois lados", justifica a médica radiologista de 36 anos. "E mídia independente tem que cobrir tudo o que acontece no País. Tem muitas mídias independentes aqui, mas eu não sei o quão independentes elas são."

Ciente de que, apesar de ser mais uma de tantos, destoava do conjunto, Fabiana decidiu manter-se o tempo todo atrás do cordão de isolamento - "o famoso cordão de isolamento", como ela diz – montado pela polícia para conter os manifestantes. Dali, mostrava ao seu público o que considerava relevante no protesto.

"Quem subiu a tarifa do ônibus foi o Haddad. E você tem uma faixa de 'Fora, Alckmin', mas não de 'Fora, Haddad", aponta, citando o prefeito petista e o governador tucano. "[E] você só tem bandeira vermelha", conta. De fato, bandeiras do Partido da Causa Operária (PCO) foram levantadas durante o protesto. "Eu sou a única com a bandeira do Brasil. O resto está representando um partido."

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Fabiana não esperava muita companhia numa atividade que seus seguidores consideravam de risco.

"Pessoal está com medo por eu estar aqui sozinha", diz, lendo alguns dos incessantes comentários postados pelos seus seguidores durante a transmissão. "Estão falando que passe livre é desculpa que não cola."

Os gritos pela estatização do transporte público também a indignaram – imagina, argumenta, o sistema sendo controlado por quem dele se utiliza, como propõem os manifestantes?

"Olha lá: contra o aumento das tarifas, tarifa zero para todos, estatização do transporte público sob o controle dos trabalhadores e usuários, pela readmissão dos metroviários e contra a demissão dos cobradores. Acho que eles não querem mais nada", comenta, ironicamente, com seus seguidores.

A postura antipetista e os elogios à PM paulista – "está fazendo um ótimo trabalho em segurar essa galera toda" –, não faz de Fabiana uma aliada incondicional do governo Alckmin (PSDB). Enquanto caminhava pela avenida Ipiranga, ainda no início da manifestação, Fabiana cobrou investigação das fraudes em licitações do Metrô e da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), ocorridos durante as administrações tucanas à frente do governo de São Paulo, assim como atacava o petismo pelo escândalo da Petrobras.

Tampouco a médica é contra manifestações – discorda apenas do conteúdo da realizada nesta sexta-feira (9), e das depredações que costumam se seguir.

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Já próximo à avenida da Consolação, a midiativista – ela não disse se concorda com essa definição – transmitiu a seu público a tensão que nela causavam os manifestantes com máscaras e roupas pretas, típicas dos adeptos do movimento Black Block, que usa da violência como forma de protesto. Pouco antes, uma amiga – a arquiteta Katia D'Ávila, de 38 anos, avisara que esses indivíduos haviam furado o cordão de isolamento da PM.

"Tá super pesado o clima desta manifestação aqui, galera", contou, embora nada fosse acontecer até o momento em que ela se despediu, de seus seguidores e da reportagem, e seguiu para casa pela Rua Maria Antônia em direção a Higienópolis, um dos bairros mais nobres da cidade.

As bombas de efeito moral só começaram a estourar meia hora depois, alguns quarteirões acima.

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